Yes we Khan

Um Tsunami começa a se formar no Paquistão devendo em 2013 abater-se sobre os interesses americanos na região.

Ele se chama Imran Khan. Ele já deu uma demonstração da sua força , na semana passada, em Lahore, quando reuniu mais de 100 mil pessoas, que aplaudiram entusiasticamente as palavras de  Khan.
Ele bradou contra a corrupção que tomou conta do país e que pretende exterminar. Incluiu no mesmo saco os líderes dos 2 maiores partidos, Zardari o Presidente da República e Nawan Sharif, da Oposição. Chamou-os de homens do establishment, submissos aos EUA, com cuja aliança o Paquistão teria firmado com base em dinheiro.
Bastante dinheiro na verdade, 1,1  bilhão de dólares para as Forças Armadas e 3 bilhões de subsídios à agricultura. Extasiados diante desta fortuna, Zardari e seus aliados fecham os olhos aos bombardeios periódicos que aviões sem piloto americanos realizam sobre o Norte Waziristão, matando talibãs e também inocentes camponeses.
Em LAHORE, Imran Khan condenou os aviões sem piloto- os drones. E culpou o governo por permitir seus vôos da morte: “Nossos líderes permitem esta guerra de terror pelos dólares que recebem. Eu os amaldiçôo: vocês venderam o sangue de inocentes pessoas.”
Imran  Khan foi um grande jogador de cricket, um ídolo no país.
Depois de abandonar o esporte profissional, primeiro dedicou-se à benemerência, fundando um hospital de câncer no Paquistão, que continua altamente respeitado.
Em 1996, entrou para a política, inicialmente apoiando Musharraff, em quem via um general nacionalista, empenhado em combater a corrupção do país. Cedo desiludiu-se, passou para a oposição.
Em 2006, ele declarou:”Musharraf lambe as botas de Bush”. Criticando os políticos defensores do presidente americano, foi enfático:”Eles são os fantoches do mundo árabe. Queremos um Paquistão soberano. Não queremos que seja um poodle de George Bush.”
Quando Bush visitou o Paquistão em 2008, Khan foi preso ao tentar organizar uma manifestação de protesto. Processado pelo governo, acabou absolvido.
Em 2009, opôs-se a uma operação militar contra os talibãs no vale Swat. Alegou que era melhor parlamentar do que lutar.
Seu prestígio cresceu muito nos últimos anos junto ao povo, especialmente os jovens, indignado com a corrupção dos políticos e os ataques dos drones americanos contra as zonas tribais.
Em entrevista ao Daily Telegraph, Khan explicou que deseja implantar um estado de bem estar social e uma autêntica democracia, com obediência às leis e um judiciário independente.
Em outras ocasiões afirmou que, chegando ao poder, dispensaria a ajuda americana.
“Quero ser amigo dos americanos não seu lacaio. A ajuda é uma maldição para um país pobre, ela impede que você faça as reformas necessárias e fortalece os bandidos”.
No fim do  discurso de Lahore, Khan declarou que o Paquistão quer independência ou escravidão” nas suas relações com os Estados Unidos. E terminou logo a seguir de uma maneira que os americanos não devem ter gostado muito.’Estou viajando para uma reunião com o governo da China. Amizade com eles será por mim procurado com empenho máximo.”
Muito mais desagradável para a Casa Branca foram outras declarações posteriores de Imran Khan. “Quem imaginar que esta nação possa ser governada pelos talibãs é um tolo. Não há um conceito de teocracia no mundo muçulmano nos últimos 1.400 anos. Se eu me tornar presidente, poderei acabar com este conflito em 90 dias – garantido.”
Bem, Imran esqueceu o Irã, governado pelos aiatolás…
Mas, o que interessa no caso é que Imran pretende resolver o problema dos talibãs com diplomacia – e rápido – deixando de tratá-los como terroristas.
É o cenário mais indesejável para os americanos.
Hoje, o exército paquistanês combate os talibãs, embora não com a necessária energia, segundo os EUA.
Permite que os drones viajem pelos céus do Norte Waziristão, despejando mísseis em catadupas sobre talibãs enfurecidos e camponeses incautos.
Permite passagem livre e abastece os comboios de caminhões que transportam suprimentos e armas para o exército americano no Afeganistão.
Deixa o pessoal da CIA atuar lindo,livre e solto, estabelecendo redes e indicando alvos para os implacáveis drones.
Até 2013, quando serão as próximas eleições, tudo isso está garantido.
Mas as chances de Khan serão muitas. Pesquisa da Pew Research Center, em junho, revelou que Inram Khan é o político mais popular no país.
Se ele ganhar em 2013, os americanos podem dizer adeus às suas regalias. A menos que Khan faça como aquele outro político, que disse que ia mudar tudo- o Barack Obama. Mas as possibilidades dele frustrar seus eleitores não são grandes.
Obama sofre a pressão de um Congresso, todo ele 100% pró-Israel ; de uma poderosa indústria de armamentos que não quer ser lesada por uma indesejada política de paz; dos poderosos lobbies israelo americanos ; a maioria dos comandantes das Forças Armadas; de grandes redes de TV E DE JORNAIS, sem contar outros grupos menos votados.
Já, Khan terá por si a maioria dos militares, humilhados pelas ofensas à soberania do Paquistão, como os ataques dos drones, as censuras públicas que o governo atual sofre de autoridades civis e militares americanas e o à vontade do pessoal da CIA que age como se estivesse em casa.
E, é claro, do povo que espera de Khan o cumprimento de suas promessas.
Até eles fizeram um novo slogan, que diz tudo isso.
Yes, we Khan.

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