Vitória amarga

Era certo que os palestinos não conseguiriam a independência através da ONU.
O Presidente Obama já havia declarado taxativamente que os EUA vetariam o pedido da Autoridade Palestina no Conselho de Segurança.

Sabia-se que os palestinos pretendiam obter a maioria dos votos, mesmo que nada valesse diante do veto americano.
Seria uma vitória moral.
Nem isso, Obama lhes concedeu.
Telefonou para o Presidente da Bósnia para convencê-lo pessoalmente a votar “não” ou se abster. Pressionou o Reino Unido, a França, A Alemanha e Portugal.
Prontamente, foi obedecido por Wiliam Hague, Ministro das Relações Exteriores do Reino Unido.
Aí o incrível aconteceu. Membros ilustres do Partido Conservador, tendo à frente o Deputado Nicholas Soames, ex-Ministro da Defesa e neto de Winston Churchil, e Lady Morris of Bolton, protestaram, como dirigentes do Conselho do Oriente Médio do Partido Conservador.
Diz o texto do protesto:”Acreditamos que a Grã-Bretanhaq deve votar a favor da independência da Palestina, no dia 11 de novembro de 2011”.
E, mais adiante:“Como bom amigo de Israel e da Palestina, o Reino Unido sempre apoiou uma Palestina soberana, viável e segura ao lado de um Israel seguro, e nosso voto tem de ser de acordo com isso. Esta é a hora do Reino Unido ficar do lado certo da História. A opinião pública está fortemente ao lado dos palestinos, como mostram pesquisas que indicam 71% pela independência.”
Os conservadores afirmaram também que a abstenção inglesa traria severas conseqüências. O Reino Unido perderia o prestígio junto ao mundo árabe recentemente ganho com sua participação na Guerra da Líbia.
Hague, atrapalhado, justificou-se, dizendo que era necessário formar ao lado dos outros países da Europa Unida membros do Conselho de Segurança. Argumento estranho, uma vez que a França parecia tendente a votar pelos palestinos. Seria dois a um contra a Alemanha. Portugal certamente seguiria a maioria.
Mais estranho foi Sarkosy.
Obama reclamou por ter a França votado a favor do ingresso da Palestina na UNESCO (“isso nos enfraqueceu”). Seria contraditório em relação ao voto francês pela abstenção no Conselho de Segurança.
A resposta de Sarkosy foi que não votaria pela independência palestina porque, diante do veto americano, não adiantaria nada…
O trabalho de cabo eleitoral de Obama foi eficiente. Os palestinos não deverão receber os 9 votos necessários para obter maioria no Conselho de Segurança.
Somente 8 nações os apoiarão : Brasil, China, Rússia, Líbano, Nigéria, União Sul-Africana, Índia e Gabão.
Mas, vencendo, Obama perdeu.
A Arábia Saudita já declarou que sai da base aliada americana e parte para uma política externa independente. A esquerda e os liberais americanos ficaram ainda mais frustrados com o Presidente. O anti-americanismo no mundo árabe ganhou novo impulso. Nenhum líder palestino moderado passará a confiar nas promessas de amizade e eqüidistância de Obama.
Está certo, mas…
Quantos pontos ele terá ganho nas pesquisas de intenção de votos dos EUA?
Washington vale bem uma missa

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