EUA a favor das minas terrestres

As guerras do Vietnam, Líbano, Iraque e Angola já terminaram há anos. Mas ainda fazem vítimas. Heranças dos exércitos, minas terrestres explodem nesses países, matando ou aleijando pessoas.

Somente no Líbano, estudos da ONG Handicap revelam que as minas vitimam mais de 3 pessoas em média, por dia. E vão continuar detonando por muito tempo ainda, pois estima-se que existem 100 mil minas enterradas no solo libanês.
As minas terrestres são bombas de fragmentação que, ao explodirem, espalham uma multidão de projéteis numa grande área. Cerca de 15% delas falham (às vezes esse número chega a 80%), transformando-se em minas terrestres, que permanecem ativas por muitos e muitos anos depois de quando foram lançadas.
Aí, basta que alguém, ao passar, toque numa mina levemente para que exploda, espalhando ferimentos e mesmo morte. O mais trágico é que as crianças são as primeiras vítimas porque pegam esses engenhos letais pensando que são brinquedos. Por isso, em alguns países, onde ainda existem minas terrestres, é comum se encontrar crianças sem braços ou pernas.
As leis da guerra só permitem o uso das bombas de fragmentação contra alvos militares. Se forem lançadas numa região densamente habitada, caracteriza-se crime de guerra.
Mas não era o bastante. Muitas bombas fragmentárias lançadas em zonas de guerra transformaram-se em minas terrestres que foram explodir, muito depois, quando essas zonas tornaram-se habitadas. E assim, conforme estudos da ONG Handicap International, mataram ou aleijaram 11.044 pessoas.
Diante disso, a comunidade internacional, no ano de 2010, emitiu uma convenção, proibindo o uso de bombas de fragmentação e exigindo a destruição dos seus estoques.
111 países assinaram esta convenção; os EUA, Israel, Rússia, China, Coréia do Sul, Índia e Paquistão recusaram-se.
A Convenção começou a ser aplicada em junho de 2010, logo depois de uma bomba de fragmentação dos EUA ter matado 35 mulheres e crianças no Iemen. O Pentágono negou-se a admitir o fato apesar das provas apresentadas pela Anistia Internacional. Que foram corroboradas por uma correspondência diplomática americana revelada pelo Wiki Leaks.
No tempo de Bush, os americanos não se envergonharam de usar bombas de fragmentação no início das guerras do Afeganistão e do Iraque.
Por sua vez, Obama pretende suavizar a proibição. Seu governo alega que as bombas de fragmentação modernas dificilmente vão virar minas terrestres já que seu índice de falha é de apenas 1%. Pretende manter a proibição apenas para os engenhos produzidos antes de 1980.
Na semana que vem, a comunidade internacional vai se reunir para discutir a proposta americana, que é apoiada pelas demais nações não-signatárias da primeira convenção.
Para os defensores da regra atual, dizer que a partir de 1980 as bombas fragmentárias ficaram mais perfeitas é uma afirmação totalmente arbitrária. Aprovar esse novo limite seria legalizar praticamente todas as bombas existentes Além disso, nos campos de batalha elas tem mostrado índices de falhas muito maiores do que os 1% assegurados pelos fabricantes.
O Reino Unido, um dos 111 países que assinaram a proibição, foi um dos líderes da campanha contra as bombas fragmentárias. Não só dispôs-se a destruir seu estoque como também solicitou que os EUA levassem pra casa as bombas fragmentárias que tinham armazenado em território inglês.
Eis que, conforme denúncia do The Independent, o governo conservador mudou da água para o vinho, passou a apoiar a proposta americana. Com esta estranha mudança e da não menos estranha abstenção na discussão da independência palestina no Conselho de Segurança (contra a opinião de 71% dos ingleses), o governo inglês aceita ,mais uma vez, a liderança da Casa Branca.
Na votação do Conselho de Segurança, a decisão do governo foi contestada por importantes líderes do partido Conservador. Lá aconteceu o mesmo. Inconformada, a deputada Pauline Lathamn proclamou: “O papel do Reino Unido no movimento para assegurar a proibição das bombas de fragmentação em 2008 mostrou o melhor que o país poderia fazer pelo mundo. Não podemos permitir que esta proibição seja solapada pela pressão de nações que não estão dispostas a abandonar armas indiscriminadas e ilegais.”
A recusa em assinar a proibição das minas terrestres foi de Obama e  não de Bush.
Obama também multiplicou o número de ataques com aviões sem piloto-os drones- contra talibãs no Paquistão, responsáveis por milhares de vítimas civis – os chamados “danos colaterais”.
A expansão dos bombardeios via drones para o Iemen, Somalia e Etiopia também se deve ao governo dele.
E Obama recebeu o Prêmio Nobel da Paz em ….

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