Soldados afegãos matam seus libertadores.

“Numa série de missões de grande importância, o Exército Nacional Afegão e a Polícia Afegã muitas vezes fugiram ao combate, fugiram devido a boatos ou fizeram acordos secretos com o Talibã.”

Esta frase, de um relatório do Coronel Davies sobre a Guerra do Afeganistão, revela a falta de comprometimento dos soldados do país com guerra liderada pelos EUA.

Outro dado nesse sentido e igualmente alarmante: pelo menos 1 entre 7 soldados afegãos deram adeus às armas nos primeiros 6 meses de 2011. Foram mais de 24 mil soldados, mais do dobro dos que seguiram o mesmo caminho em 2010, segundo estatísticas da OTAN. Somente em junho de 2011,  5 mil desertaram, quase 3% do efetivo total  de 170 mil homens do exército do Afeganistão.

Da falta de comprometimento á raiva e ao conflito com os militares americanos encarregados de treinar e liderar o exército do Afeganistão foi um passo.

O resultado é altamente preocupante para a OTAN: os soldados estão matando seus aliados americanos, que teriam vindo ao país para libertá-lo dos talibãs, numa quantidade absolutamente anormal em relação ao que acontece entre aliados nas guerras modernas.

Nos primeiros anos do conflito, incidentes desse tipo eram raros.

Mas, já em 2008, contaram-se 4 assassinatos de americanos e europeus por seus colegas do exército afegão.

Em 2011, foram 12.

Neste ano, em menos de 5 meses, em 10  ataques, foram mortos 19 soldados.

O número total de feridos não foi fornecido pelo comando das tropas da OTAN.

Considera-se que seria de esperar uma certa hostilidade dos soldados afegãos em relação aos estrangeiros , que vem lhes dar ordens no seu próprio país.

Mas esse sentimento foi agravado por uma série de episódios nos quais as tropas americanas tanto mataram inocentes – como no recente massacre de 16 pessoas por um sargento – quanto desrespeitaram a religião e os costumes locais – como na fogueira com exemplares do Alcorão e nos fuzileiros que urinaram sobre cadáveres de afegãos.

O fato da tendência desse tipo de ataques ser crescente, cria um problema sério para os comandos dos EUA e da OTAN..

A continuar assim, temem que acabe se criando um antagonismo generalizado entre as tropas internacionais e as afegãs.

Que ficaria extremamente grave depois de 2014, quando o grosso das tropas da OTAN se retirar, deixando um contingente de 10 mil homens ao lado de um exército afegão que deverá ter 300 mil soldados, na ocasião.

Se a hostilidade entre as duas partes crescer muito, o contingente da OTAN, não só terá sua eficiência reduzida, como se verá exposto a uma situação de perigo real..

 

 

 

 

 

 

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