Síria: bombardeio do Direito.

Quando soube do bombardeio de Damasco pela aviação de Israel, Obama apressou-se a declarar seu apoio. Para ele, Israel estaria exercendo seu  direito de se defender.

Resolver conflitos entre nações com o uso da força, sem antes tentar soluções pacíficas, não é admitido pelo direito internacional.

O que aconteceu foi a aplicação pura e simples da lei da selva.

O bombardeio israelense matou 42 soldados sírios, ferindo mais de 100, além de causar danos pesados e violar a soberania da Síria.

Certamente, não vai acontecer nada.

Embora tenha contra si a lei, Israel tem por si a força.

O governo Assad ameaçou retaliar mas ficará nisso porque não pode as forças armadas de Telaviv  são muito mais poderosas do que as sírias.

Além disso, ele não teria condições de combater os rebeldes e os israelenses ao mesmo tempo.

Os americanos, por sua vez, se encarregarão de tornar sem efeito o justo protesto dos sírios no Conselho de Segurança da ONU, usando seu poder de veto.

Para defender sua imagem, a propaganda dos EUA alega que o alvo de Israel eram mísseis que seriam levados ao Hisbolá, tradicional inimigo do país. Seria, portanto, auto- defesa.

Usando essa justificação, a Síria poderia bombardear a Arábia Saudita para impedi-la de fornecer armas à revolução. Ou o Yemen, para atacar campos onde instrutores americanos treinam soldados rebeldes. Ou mesmo os próprios EUA, para destruir mísseis como aqueles que aviões israelenses despejaram sobre Damasco.

Já pensou o escândalo que Obama e as agências de notícias internacionais fariam se alguma dessas coisas acontecesse?

Fica claro que os EUA usam dois pesos e duas medidas na sua política no Oriente Médio.

Partem da ideia de que eles, Israel e demais aliados representam “o Bem”, em luta contra “o Mal”, ou seja, aqueles que rejeitam o diktat yankee .

Os países do Bem estão sempre certos, afinal eles são os “good guys”, tudo o que fazem é com boa intenções.

Já os outros, como são “bad guys”, todas as suas ações são condenáveis, mesmo quando iguais às praticadas (e aprovadas) pelos seus oponentes do Bem.

Assim, o Irã sofre pesadas sanções mundiais comandadas pelos EUA por suspeitas de querer produzir armas nucleares, enquanto que Israel, que possui mais de 200 delas, não é sequer investigado.

O governo americano exige a queda de Assad por desrespeitar os direitos humanos, enquanto mantém 166 suspeitos presos em Guantánamo (89 já inocentados), sem julgamento e em prisão indefinida.

O Ocidente apoiou decisivamente a revolução líbia conta Kadafi, por ser uma ditadura cruel, mas nada faz os contra regimes da Arábia Saudita e Bahrein, igualmente opressores.

O Líbano queixou-se à ONU por ter seu espaço aéreo violado 18 vezes por aviões israelenses, nas duas vezes que atacaram a Síria. O direito internacional estava a seu lado, fora uma violação da soberania libanesa, mas os EUA impediram sequer uma censura do Conselho de Segurança a Israel.

Quanto a esse, digamos, incidente, Bibi Netanyahu esclareceu que os sírios não deviam se aborrecer já que o ataque não fora contra eles, mas sim contra os “terroristas” do Hisbolá.

O governo de Assad não concordou. Afinal, bombardear 2 vezes um país, matando, ferindo e destruindo, está bem mais para declaração de guerra.

 

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