Romney: o candidato da guerra.

Política internacional está longe de ser um dos principais interesses do candidato Mitt Romney.

Talvez por isso ele costuma ouvir as opiniões dos seus assessores antes de apresentar a sua.

A maioria deles são membros do grupo de neoconservadores (os neocons), que ocupou posições destacadas no governo Bush, influindo decisivamente na política externa americana daqueles tempos.

Uma das prioridades básicas era “a guerra mundial contra o terrorismo”, a qual, de acordo com o neoconservador William Kristol, deve ser expandida por Romney para o que ele chama de “guerra contra o islamismo político.”

Sob este rótulo, Kristol coloca não apenas a Al Qaeda, a Jihad Islamica, o Hisbolá e o Hamas, mas também todos os países onde os partidos islâmicos governam ou participam do governo. Portanto: Irã, Iraque, Síria, Paquistão, Tunísia e até o Egito que Hillary Clinton tenta seduzir, estariam entre os inimigos da pátria americana.

Vários desses países foram relacionados por Romney como possíveis candidatos a entrarem em guerra com os EUA.

A Primavera Árabe é vista por ele com grandes reticências, como uma ameaça potencial ao regime israelense.

O apoio a Israel será, aliás, a pedra angular da política internacional americana, na eventualidade de Romney ser eleito.

Não foi por acaso que, em recente reunião com bilionários financiadores de sua campanha, ele declarou ser brifado sobre a política do Oriente Médio pelo embaixador de Israel.

Refletindo a opinião dos “neocons”, Romney acha que Obama não defendeu suficientemente bem os interesses de Telaviv diante dos palestinos.

Muito pelo contrário.

Quando Obama sugeriu que as fronteiras de 1967 deveriam ser a base das negociações entre as partes, Romney declarou que o presidente “atirou Israel embaixo do onibus”.

Para ele, a solução do problema passa por uma atitude firme dos EUA, reduzindo substancialmente a ajuda financeira aos palestinos, caso insistam em solicitar reconhecimento da ONU e a promoverem a união do Fatá com o proscrito Hamas.

Outro ponto importante: os EUA devem assumir uma vigorosa defesa de Israel na campanha mundial que visa deslegitimar o país. Devem opor-se na ONU e em todos os fóruns contra acusações de violações dos direitos humanos por parte das autoridades israelenses.

Para dar uma dimensão do seu apoio, Romney declarou durante sua campanha que atenderá ao governo de Israel em tudo que lhe for solicitado.

Sendo eleito, espera-se que ele esqueça essa promessa. Ou que Bibi não a leve ao pé da letra. O mundo iria detestar uma guerra contra o Irã…

De resto, ele já garantiu que, uma vez eleito, trataria de se preparar para um ataque às instalações nucleares iranianas. Deixou em suspense a revelação das circunstâncias em que isso aconteceria.

Focando ainda o terreno das ameaças, a equipe de neocons de Romney afirma que ele deverá ampliar ao máximo o isolamento diplomático do Irã. Ahmadinejad não deverá ser recebido como chefe de estado em parte alguma do mundo. Nem um cafezinho os governos do Ocidente poderão  lhe oferecer.

Caberá à casa Branca exercer pressão para que o Irã seja expulso de todos os organismos internacionais.

E mais: devido a seus apelos para Israel ser varrido do mapa, o Presidente Ahmadinejad precisaria ser indiciado por incitamento ao genocídio, conforme o artigo III da Convenção para Prevenção  e Punição dos Crimes de Genocídio.

Apesar de rotular o presidente iraniano de genocida, para Romney, seu país não é o inimigo número 1 dos EUA.

Talvez saudoso da Guerra Fria, ele colocou a Rússia nessa posição, numa manifestação largamente controvertida.

Procurou explicar-se, dizendo que falava apenas em termos geopolíticos, afinal a Rússia vinha sendo contrária a todas as “justas causas” defendidas pelos EUA na ONU.

Em outra ocasião, porém, deixou dúvidas sobre o verdadeiro sentido de sua apreciação.

Foi quando ele defendeu o aumento das verbas para fortalecer as forças armadas americanas ainda mais.

Porque?

Talvez proximamente, explicou,  os EUA poderiam ter de enfrentar conflitos com uma série de adversários, relacionados numa lista encimada pela Rússia.

Muito estranho,  pois Moscou não representa uma ameaça militar, nem compete com os EUA economicamente, menos ainda pretende ampliar sua influência muito além de suas fronteiras.

O único perigo que poderia vir da Rússia é o grande número de armamentos nucleares que ela tem armazenado. Mas Putin jamais os usaria contra os americanos,  pois não é suicida.

Quanto ao Afeganistão, Romney acha que as decisões devem ser deixadas por conta dos militares.

Finalmente, ele apóia todas as leis que autorizam o Presidente a mandar matar no Exterior e prender no país sem julgamento e indefinidamente, todos que considerar que ameacem a segurança.

Enfim, sai de baixo…

Embora confie nos assessores para formular sua política internacional, Romney  já deu demonstrações de ter idéias próprias nesse campo, embora um tanto disparatadas.

Em 2006, quando governador de Massachussetts, negou-se a oferecer seguranças a Khatami, ex presidente do Irã, que estava de passagem para conferência na Universidade de Harvard.

Alegou que “um terrorista” como antigo chefe de estado.

Sucede que Khatami é o líder do movimento reformista do Irã, que faz oposição ao regime de Kamenei e Ahmadinejad.

Quando presidente, promoveu  os direitos humanos, a liberdade de imprensa e procurou voltar a manter boas relações com o Ocidente.

Inclusive os EUA.

 

 

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