Plano francês para a Palestina: solução possível.

Laurent Fabius, o ministro do Exterior da França, anunciou que seu país apresentará um novo plano de paz para a Palestina.

Começa com uma conferência internacional, que organizaria uma reunião entre palestinos e israelenses para discutir a questão.

Parece dejá vu, mas não é.

Primeiro, porque as duas partes seriam supervisionadas pela comunidade internacional, que entraria em ação sempre que surgissem impasses.

E, talvez mais importante: as negociações teriam prazo de um ano para apresentaram uma solução.

Caso não desse em nada, a França imediatamente reconheceria o Estado da Palestina, abrindo caminho para que outros países europeus fizessem o mesmo.

Como se esperava, Netanyahu logo rejeitou. Israel não aceitaria soluções de outras nações. A questão tem de ser discutida entre ele e os palestinos e mais ni.nguém.

Enquanto isso, Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestina, falando em Adis Abeba, não só aplaudiu como já foi colocando as exigências palestinas.

Aquelas mesmo que já foram há muito explicitadas.

O que foi novo, surpreendeu quem conhece o eternamente concessivo Abbas.

“Nós não retornaremos às negociações apenas pelo prazer de negociar…”

Com isso, ele deu um basta aos EUA e aliados que vem simplesmente apontando as reuniões bilaterais, Israel-palestinos, como a forma certa para resolver o problema.

Negociar , sim, mas com prazo e um horizonte claro no qual o reconhecimento da Palestina independente apareça como conseqüência de novos fracassos na busca da “solução dos 2 Estados”.

O Hamas, através de um dos seus líderes, Ismail Radwan também opôs-se à proposta francesa: “os apelos da comunidade internacional para renovar as negociações de paz foram fúteis e inaceitáveis. O mundo estaria tentando implementar soluções que previamente falharam.”

Preocuparam-se em condenar a idéia furada das negociações bilaterais, passando por cima dos pontos novos dos franceses: o prazo, o possível reconhecimento da Palestina e a maior atuação da comunidade internacional.

Caso essa posição persista, o Hamas arrisca-se a ficar isolado e perder seu prestigio junto ao povo palestino, que anseia por paz.

Como sempre, a posição dos EUA será decisiva.

E como sempre as perspectivas são sombrias.

Obama tem criticado várias vezes o governo Netanyahu pelos assentamentos e sua atitude dúbia quanto á independência da Palestina e à “solução dos dois estados”.

Chegou mesmo a ameaçar uma mudança da posição 100% dos EUA na ONU.

Eu não apostaria nisso.

O presidente americano vai provavelmente tentar fazer com que a proposta francesa não chegue sequer ao Conselho de Segurança.

Com uma eleição neste ano, dificilmente Obama se arriscará a enfrentar o poderoso lobby israelense.

 

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