Palestinos vão à ONU por ação contra assentamentos.

No fim do ano passado,o presidente da Autoridade Palestina, Mamhoud Abbas anunciou com grande fanfarras que não iria continuar de braços cruzados assistindo á falta de ação da comunidade internacional em favor da liberdade do seu povo.

Estaria se retirando dos Acordos de Oslo, desistindo da solução dos “2 Estados independentes na Palestina”e das negociações de paz  e terminando a colaboração da Autoridade Palestina com Israel.

Durante dois meses a diplomacia palestina agiu como se essas palavras não tivessem sido ditas.

Não se esboçou nada de novo nas relações da Autoridade Palestina com Israel, nem nas palavras de Abbas que continuava falando em negociações de paz, solução dos 2 estados,etc

Finalmente, agora pode acontecer algo que pode mexer com a ociosidade dos diplomatas da comunidade internacional encarregados de lidar com a questão palestina.

O Haaretz de 21 de janeiro informa que a Palestina se prepara para solicitar ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução declarando os assentamentos ilegais e o obstáculo principal à paz.

Aparentemente parece uma iniciativa totalmente inútil,que só provocará bocejos entediados em Terlaviv.

Os assentamentos já foram condenados por dezenas de órgãos da ONU, inclusive a Assembléia Geral, e outras entidades internacionais como infrações ao direito internacional, delitos graves, cujas vítimas são, não só o povo palestino esbulhado de suas terras, como a ordem jurídica do planeta, algo a que nossa moderna civilização costuma dar importância.

Mas de pouco adianta. Enquanto a Assembléia Geral da ONU emite recomendações – que podem ou não ser respeitadas- do Conselho de Segurança partem resoluções, decisões que todos os países são obrigados a obedecer.

Aprovada a solicitação palestina, seus dirigentes podem pedir ao Conselho de Segurança sanções suficientemente duras para forçar Israel a  acabar com os assentamentos.

Isso , por certo, não seria feito de maneira total. Transferir 550 mil judeus com suas casas e propriedades rurais de suas terras na Cisjordânia para regiões em Israel seria trabalho para um Stalin.

Ele obrigou os 5 milhões de inguches a  se mudarem com armas e bagagens para a Sibéria. Mas a um custo humano catastrófico, inaceitável talvez até mesmo pelos elementos menos duros do ISIS.

O que seria lícito esperar é, aplicando o Conselho de Segurança a Israel  sanções semelhantes às que recentemente quase destruíram a economia do Irã, Netanyahu provavelmente amansaria. Talvez até topasse fazer concessões. Como trocar terras israelenses por áreas de maior concentração de assentamentos, indenizando os que ficassem fora da transação.

É claro, são apenas sugestões.

O fato é que diplomatas palestinos já conseguiram a boa vontade da maioria dos países do Conselho de Segurança como França, Egito e Espanha.

O problema principal será mesmo obter o voto ou a abstenção dos EUA.

Pela lógica, eles devem somar com os palestinos. Afinal o governo americano é oficialmente contrário aos assentamentos, tendo ainda nesta semana seu embaixador em Israel feito duras críticas a eles.

Acontece que, em 2011, esta mesma proposição foi apresentada ao Conselho de Segurança e vetada pelos EUA, apesar da posição americana francamente hostil aos assentamentos.

Bem, o governo Obama, como seus antecessores, não costuma pautar suas ações pela coerência. Prefere evitar confrontos com os ultra republicanos (e mesmo democratas), todos eles fanaticamente favoráveis a Telaviv, e os bilionários lobbies judaicos, prontos em pressionar jornais e financiar candidatos amigos.

Desta vez, pode ser diferente.

Obama teve sérios confrontos com Netanyahu durante as negociações do acordo nuclear com o Irã. Fez severas críticas a procedimentos e declarações do líder máximo de Israel, em várias ocasiões, e ameaçou ser possível que os EUA não continuassem seguindo Israel na ONU.

O mandato do presidente está no fim e talvez ele queira deixar uma última impressão de coragem ao seu povo, votando de acordo com algo que os americanos outrora respeitavam mais.

Os princípios da sua Constituição.

 

 

 

 

 

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