Palestina independente depende de Bibi?

Declarações em Davos de John Kerry, secretário de Estado dos EUA, foram pelo menos ambíguas.

Primeiro ele foi incisivo: ”Palestinos precisam saber que no fim do dia (das negociações de paz) seu território ficará livre de tropas israelenses – que a ocupação termina.”

Caindo de alegria, Abbas, o presidente da Autoridade Palestina, preparou-se para abrir champagne.

Mas largou o saca – rolhas quando Kerry completou: ”Mas esse dia chegará quando Israel tiver certeza de que o território do qual se retirar não será usado para lançamento de ataques contra seus cidadãos. Não haverá paz a menos que as necessidades de segurança de Israel sejam atendidas.”

Bem, quem fala por Israel é Bibi Netanyahu, seu primeiro-ministro, líder de uma coalizão de direita que domina a política de Telaviv.

Será ele e seu grupo que definirão as condições para que Israel tenha as garantias mencionadas por Kerry.

No dia das falas do secretário de Estado americano, Bibi deu entrevista prometendo que jamais desalojará um único israelense de qualquer parte da Margem Oeste.

Dizem que ele foi parcialmente mal-entendido. Teria se referido aos assentamentos israelenses do vale do Jordão, que ele quer sob o controle do exército de Israel, como condição de segurança.

Em outras palavras, Israel, pela voz de seu supremo mandatário, exige manter a região do vale do Jordão, reduzindo a futura Palestina a um território mínimo e não contíguo.

Do contrário, não se sentirá garantido contra eventuais ataques de palestinos islamitas radicais.

Como não dá para os negociadores palestinos aceitarem uma realidade tão mesquinha, segue-se que o dia da liberdade continua longe, muito longe.

Segundo Kerry, talvez não chegue jamais, pois ele considerou estarem os palestinos  arriscando sua última chance de criar um estado independente.

É verdade que ele também fez duros prognósticos para Bibi e seu grupo: ”Se as negociações falharem, a dinâmica demográfica tornará impossível para Israel preservar seu futuro de Estado judeu democrático. O ‘status quo’ de hoje pode não durar para sempre.”

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