Painel de Bibi defende até assentamentos ilegais.

Um painel do governo israelense foi na contramão da comunidade internacional.

Ele concluiu que os assentamentos são legais e que todos aqueles construídos à margem da lei, devem ser legalizados.

A justificação foi mais do que inesperada: estaria errado falar em “ocupação das terras palestinas”, pois Israel seria o dono legítimo de toda a Palestina.

O relatório do painel apresenta também resoluções contrárias ás restrições aos assentamentos levantadas pela Suprema Corte, com o objetivo de facilitar a construção de novos assentamentos.

O Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu recebeu bem o relatório e declarou que vai submetê-lo a um fórum especialmente criado para esse fim.

Por ele, já estaria aprovado pois expandir assentamentos é pedra básica em sua política de ampliar a presença israelense na Cisjordânia de um modo tão amplo que tornaria inviável a fundação de um estado palestino independente.

Somente no seu governo a população israelense na Palestina aumentou em 18%, graças aos incentivos oferecidos por ele.

Seus antecessores não eram estranhos a essa política. De 1993 para cá a população israelense na Palestina simplesmente triplicou. Hoje é cerca de 500 mil.

Nos últimos 6 meses, 3.437 árabes palestinos perderam suas propriedades agrícolas ou moradias na Margem Oeste e em Jerusalém Oriental, de acordo com a ONU.

Em 2005, a procuradora Talia Sasson criticou duramente o governo por sua cumplicidade na construção de dezenas de assentamentos em terras de propriedade de palestinos, o que é uma violação da própria lei de Israel.

Caso Netanyahu aprove as recomendações da sua comissão, o acordo de paz estará definitivamente enterrado pois elas implicam na rejeição da  idéia de uma Palestina independente.

Felizmente, os EUA já se posicionaram em sentido contrário.

Falando em nome do Departamento de Estado, Patrick Ventrell afirmou :”‘Obviamente, nós consideramos o relatório no qual um painel nomeado pelo governo israelense recomenda legalizar dezenas de assentamentos na Margem Oeste, mas não aceitamos a legitimidade da contínua ampliação de assentamentos e nos opomos a qualquer idéia de legalizar postos avançados.”

Dificilmente, Bibi vai querer comprar briga com os EUA e a comunidade internacional, maciçamente contrária aos assentamentos.

Com lágrimas nos olhos, vai ter de engavetar as incríveis conclusões do seu painel.

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