Os terroristas do bem

Em julho último, numa reunião no Congresso, John Bolton, embaixador dos EUA na ONU no governo Bush, e vários deputados republicanos, inclusive a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, expressaram apoio a dirigentes do MEK – o Mujahedin-e-Khalq.

O bizarro é que essa organização é listada como terrorista pelo próprio governo dos EUA. E com merecimento, pois o MEK, conforme o Departamento de Estado, tem em sua folha corrida atentados que mataram muitos iranianos e até americanos, apoio a Saddam Hussein na guerra contra o Irã e em massacres que o falecido ditador promoveu de curdos e xiitas.
Como o MEK é oficialmente considerado terrorista, o governo americano deveria aplicar a lei e, sem demora, prender seus chefões que circulam desenvoltamente pelo Congresso e imediações. Mas nada fez. Em janeiro deste ano, os chefões do MEK contrataram lobistas para convencer Hillary Clinton de que, desde 2001, abandonaram os maus modos. Fato que recente relatório do FBI contradiz, ao revelar que, pelo menos até 2004, o grupo estava envolvido com ações terroristas.
Apesar de sua violenta folha corrida, o MEK tem fortes adeptos no mundo político americano. Sendo inimigo do governo iraniano, ele é bem visto por importantes setores do Partido Republicano e ex-membros do governo Bush. Para esse pessoal, o MEK é o verdadeiro “movimento verde” (o apelido da oposição iraniana), sendo seu líder, Rajavi, o homem que deveria ocupar a presidência do país dos aiatolás.
Nos próximos dias, Hillary Clinton deve decidir se mantém ou não o MEK na lista negra do terrorismo. Há receios de que o lobby pró-MEK prevaleça, com o que, no dizer de um ex-funcionário do alto escalão do Departamento de Estado,”…poderemos estar tirando eles da lista do terror para que possam fazer ainda mais terror.”

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