Um segundo furacão ataca em Nova Iorque

Ao lado do Irene, o ex Vice-Presidente dos EUA, Dick Cheney, foi notícia na 2ª feira passada, em Nova Iorque, com o lançamento de suas memórias.

Como um verdadeiro “furacão”, Cheney foi co-responsável pela guerra do Iraque, que causou a morte de 1 milhão e 455 mil civis iraquianos e 4 mil e 800 soldados americanos, destruindo a infra estrutura do país, a um custo de 900 bilhões de dólares para o país invasor. Comparado com ele, o Irene não passa de uma marolinha.
Como se sabe, foi no gabinete do ex-vice do governo Bush que se gestou o famoso documento que supostamente provava a existência de um programa de armas nucleares do então ditador Saddam Hussein. Posteriormente, provou-se que era totalmente falso. Cheney não pede desculpas por isso.
Nas suas memórias, ele reafirma sua defesa da Guerra do Iraque. E conta coisas curiosas como as pressões que ele comandou para forçar Colin Powel a renunciar à Secretaria de Relações Exteriores. O general cometera o crime de, em caráter privado, ter revelado dúvidas sobre a justiça da invasão do Iraque.
Cheney conta ainda como tentou, sem êxito, convencer Bush a bombardear a Síria, que estaria construindo um reator atômico. Faz também a apologia dos “harsh interrogatories” (“interrogatórios rudes”, em outras palavras, “torturas”), altamente eficazes, segundo ele, na guerra contra o terror. O destaque é o “waterboarding” – que reproduz condições de afogamento – tantas vezes apregoado por ele, publicamente, como recurso indispensável para se extrair as informações necessárias para “ salvar vidas americanas”.
Para o jornalista Robert Scheer, a trajetória política de Dick Cheney é “uma farsa de proporções shakesperianas”. Para o ativista de direitos humanos, Glenn Greenwald, é lamentável que Obama se negue a processar antigas autoridades que, como Cheney, foram responsáveis pela prática do crime de tortura. Quanto a isso, lembro que em outros países não se costuma “deixar o passado para atrás”. E, quem sabe, possa acontecer um juiz Baltazar Garson* na vida de Cheney. Aí, as memórias que ele está lançando agora poderão ser usadas como provas da acusação.
*Baltasar Garson é o juiz espanhol que condenou o ditador Pinochet à prisão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *