Os protestos se espalham pelo mundo. E incomodam.

O ataque a Gaza começa a pegar mal na opinião pública internacional.

Na segunda semana de julho as manifestações de protesto tomaram as ruas, mobilizando cerca de um milhão de pessoas.

Em Londres foi a maior de todas. 45 mil participantes, segundo a Polícia Metropolitana. Deve ter havido mais, pois os policiais em todo o mundo costumam calcular por baixo esse tipo de eventos.

Em muitas outras cidades européias, especialmente do Reino Unido, França e  Alemanha, aconteceram passeatas condenando Israel.

Em várias delas,  grupos fascistas aproveitaram a onda para gritar slogans anti-semitas e praticar ações violentas contra pessoas e propriedades judaicas.

Houve protestos de organizações judaicas locais. Tinham razão, embora foram as violências  israelenses que abriram espaço para o racismo.

Assim entendeu um grupo reunindo as maiores personalidades do cinema espanhol, como Javier Barden, Pedro Almodóvar e Penélope Cruz. Eles escreveram uma carta a um jornal local, condenando o bombardeio de Gaza e a “destruição das famílias palestinas, às quais vêm sendo negadas água e eletricidade e impedido o livre acesso a seus hospitais, escolas e campos esportivos, enquanto a comunidade internacional não faz nada.”

Nas outras partes do planeta, os protestos se repetem.

Até mesmo em Israel, grupos pacifistas promoveram reuniões públicas em defesa da cessação dessa guerra. Tiveram poucos aderentes, é verdade, a maior manifestação  contou com apenas cinco mil  participantes.

Em muitas ocasiões foram atacados por gangues fascistas armadas com bastões e socos ingles, diante da observação indiferente de policiais.

A atitude dos manifestantes israelenses, a maioria jovens, é particularmente corajosa num país cuja população aderiu em massa à tese de destruir o Hamas, mesmo às  custas da destruição de Gaza.

Em recente pesquisa em Israel, 95% declararam-se a favor da continuação da guerra.

Apenas entre 3% e 4% criticam o massacre indiscriminado da população civil.

Sentindo que estão perdendo a opinião pública internacional, deputados israelenses reuniram diplomatas europeus para discutir as recentes passeatas anti-Israel.

Eles reclamaram de que a imprensa publicava as notícias das vítimas palestinas de maneira facciosa para jogar as pessoas contra Israel.

Solicitaram que os países da Europa impusessem uma regulamentação rígida sobre o formato e o conteúdo das passeatas anti-guerra. Ataques a Israel não deveriam ser permitidos, pois se trataria de uma forma velada de anti-semitismo.

Isso não foi bem recebido pelos presentes, uma autoridade da Dinamarca declarou que seria ir contra a liberdade de imprensa.

A resposta: “Há uma diferença entre liberdade de imprensa e pregação incendiária.”

A fonte desta informação foi uma reportagem do Times of Israel, de 19 de julho.

Como quase todos os jornais israelenses, o Times of Israel também defende a guerra e põe a  culpa de tudo no Hamas.

Eu disse “quase” porque o Haaretz, que tem 7% do mercado jornalístico do país, publica matérias equilibradas sobre o assunto.

 

 

 

 

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