Governo de Israel e Congresso dos EUA contra cessar-fogo em Gaza.

O premier Netanyahu já deixou bem claro que só vai parar o ataque a Gaza quando achar que liquidou o poder bélico do Hamas.

Nos últimos dias, o governo Obama, sempre reafirmando o direito de Israel se defender, tem solicitado um cessa-fogo já.

Nesse conflito de opiniões, o Congresso dos EUA ficou do lado de Israel.

Segundo o Yahoo News, de 29 de julho, líderes parlamentares dos dois partidos estão pressionando Obama para que pare de bancar a pomba da paz.

John Bohenner, republicano e presidente da Casa dos Representantes, falou curto e grosso: “Nós estamos ao lado de Israel, não como mediadores ou observadores, mas como parceiros fortes e aliados confiáveis.”

Quanto às vítimas civis dos ataques israelenses, o senador republicano Mark Kirk diz não haver problemas. Para destruir o Hamas, valeria a pena matar mil (ou até mais) civis palestinos…

Em outras palavras: Israel pode violar as leis internacionais, desrespeitar os direitos humanos, ignorar a ONU, enfim, fazer o diabo, que os EUA devem sempre o apoiar.

No caso de Gaza, embora erga uma das mãos contra a guerra, com a outra o presidente Obama a favorece.

As forças armadas americanas mantêm um depósito de munições em Israel, no valor de um bilhão de dólares, para ser usado quando necessário.

Israel tem direito de servir-se dessas munições desde que para atender situações de emergência. Autoridade militar americana revelou à Reuters News (31 de julho) que isso aconteceu recentemente.

Os israelenses não informaram tratar-se de uma emergência.

Simplesmente solicitaram as munições e as autoridades americanas deram seu OK, sem pedir esclarecimentos. OK para que os bombardeios pudessem continuar a matar civis em massa, sob o gentil patrocínio dos EUA.

Mas o legislativo americano quer mais.

O Congresso está aprovando um plus  de 225 milhões de dólares aos três bilhões de dólares concedidos anualmente a Israel.

O objetivo é manter o funcionamento do “escudo de ferro”, os equipamentos que protegem a população israelense dos civis lançados de Gaza. Muito humano. Pena que o povo palestino não conte com proteção similar.

Enquanto o cessar-fogo divide o executivo e o legislativo americanos, no Reino Unido ele é unanimidade.

O governo conservador prega o fim da violência.

Peter Hammond, o novo secretário do Exterior declarou em entrevista: ”O que Israel faz em Gaza precisa ser proporcional – isto é uma exigência da lei internacional. Se não for proporcional, não é legal.

Perguntado se estaria havendo proporcionalidade nas retaliações israelenses, Hammond não respondeu.

Por sua vez, Ed Miliband, líder da oposição trabalhista é enfático ao se manifestar absolutamente contrário à invasão israelense.

E Nick Clegg, líder do Partido Liberal, que integra o ministério, é radical ao afirmar que a resposta israelense parece ser deliberadamente desproporcional.

Claro, todos eles ressalvam o sempre invocado direito à defesa. Mas acham que Israel foi longe demais.

5 países latino-americanos concordam com eles.

Brasil, Peru, Equador, El Salvador e Chile chamaram de volta seus embaixadores em Israel.

O ministro do Exterior do Chile foi contundente: “O Chile sente, com grandes preocupações e horror, que essas operações militares, que no presente estágio de desenvolvimento representam punição coletiva contra a população palestina, não respeitam leis fundamentais do direito humanitário internacional.

A nota chilena reconhece o direito israelense à defesa, mas afirma que “a escala e a intensidade das operações de Israel em Gaza violam o princípio da proporcionalidade no uso da força, uma exigência essencial para se justificar a auto-defesa.”

 

 

 

 

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