Os árabes têm futuro nos Estados Unidos.

Só para dar uma idéia da força de Israel nos EUA: nos vários projetos apresentados para livrar o país do calote, propunha-se cortes nas mais diversas despesas. A ajuda a Israel, no valor de 3 bilhões e 25 milhões de dólares anuais, seguiu intocada.

Na verdade, isso não foi surpresa para quem acompanha a política americana.
Surpreendente é a possibilidade do monolítico apoio dos EUA aos governos de Israel – seja lá quais forem – pode mudar a médio prazo.
Pesquisas realizadas pela Zogby International em março de 2010 mostram que a juventude americana tende a defender uma posição imparcial para a política externa americana no Oriente Médio. O contrário do que pensam os mais velhos, especialmente os partidários dos republicanos.
A Zogby ouviu opiniões de jovens da faixa de 15 a 29 anos e de pessoas de idade madura, entre 50 e 64 anos.
Os primeiros representam o futuro da América, os segundos, quem está mandando atualmente.
Enquanto que 54% do público jovem tem uma opinião favorável às pessoas de raça árabe, 53% dos veteranos é desfavorável. Quanto à imagem dos muçulmanos em geral, o quadro é um pouco diferente. Ainda assim, os árabes vão bem no setor jovem, onde obtém um placar favorável de 48% x 43%, e perdem na outra turma, 32% x 59%.
Perguntados se achavam importante a política de Obama, que busca boas relações com o mundo árabe,  60% dos jovens apoiaram e 42% do outro grupo discordaram.
A próxima questão, as causas da imagem negativa dos EUA nos países árabes, apresentava diversas escolhas. A mais votada pelos dois grupos foi : ”Eles odeiam os valores e liberdade americanos”, selecionada por 32% dos jovens e 40% dos mais velhos. Mas somando a guerra do Iraque e a crise da Palestina como o principal fator, o total dos jovens que responsabilizou a política americana no Oriente Médio chegou a 45%.
Estes últimos números cresceram 1 ano depois, conforme pesquisa da Pew. 52% dos respondentes com menos de 30 anos consideraram que os ataques de terroristas e insurgentes árabes contra os EUA foram motivados por ações americanas no Oriente Médio.
Voltando à pesquisa da Zogby, para 49% do pessoal da faixa dos 18/29 anos, o Islam seria uma religião de paz. Já para 44% do grupo de 50-64 anos, a religião de Maomé pregaria o ódio.
Indo para questões específicas da Palestina, outra pesquisa Zogby perguntou se Jerusalem deveria continuar israelense ou ser dividida, cabendo a parte oriental aos árabes. O partido pró divisão ganhou entre os jovens por 45% x 25%.
Eles também consideraram que Obama deveria portar-se de forma imparcial na questão da Palestina ; 58% contra 28%, que queriam a defesa irrestrita de Israel.
 A segunda pesquisa do Zogby demonstrou, aliás, que, embora apoiando Israel de um modo geral (65% x 29%), a maioria da população americana não está de acordo com as políticas anti-árabes do governo Nethanyau.
40% acham que os assentamentos estão em terras tomadas aos palestinos e devem ser devolvidas a eles, contra 34% que declaram serem necessários à segurança de Israel. Surpreendentemente, 40% querem que os EUA peguem duro para forçar Israel a parar os assentamentos, enquanto apenas 26% defendem sua expansão.
No primeiro semestre deste ano, quando Obama defendeu a “solução dos 2 estados”, tomando por base os limites de 1967, a Hill, por sua vez, realizou uma pesquisa de opinião para testar a avaliação do público e obteve os seguintes resultados :
– para 47%, Obama melhorou a imagem global dos EUA;
– para 43%, ele foi mal.
Estes dados provam que há uma tendência no povo americano em favor de maior justiça na condução das políticas na Palestina.
Apesar disto, os políticos, especialmente os congressistas, preferem somar com os lobbies judaico-americanos, que os brindam com maciços financiamentos em tempos eleitorais.
Alheios às opiniões do povo americano em favor de temas específicos como paralisação dos assentamentos e direitos dos árabes, os congressistas fazem do Congresso uma filial do Knesset, sempre que se discutem os problemas da região.
Por enquanto, essa dissonância entre eleitores e eleitos não tem tido efeito nas urnas. De um lado, por que existe uma sólida maioria simpática a Israel. De outro lado, por que, embora o povo considere o conflito israelense-palestino  contrário aos interesses dos EUA (81% x 15%), esta questão ainda não empolga a maioria.
Daqui há 10/20 anos isso pode mudar. Os jovens de hoje, que as pesquisas mostram nitidamente favoráveis à eqüidistância nas políticas americanas na Palestina, terão grande poder político. Muitos deles serão congressistas, senadores, diretores de jornais, governadores…
Caso até lá a questão palestina não tenha sido resolvida, as justas reivindicações dos árabes poderão receber um apoio real por parte dos EUA.
O que, até agora, tem sido negado. Apesar dos discursos do Presidente Obama.

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