Ministro israelense ecoa Netanyahu: Palestina independente, jamais.

Durante a recente campanha eleitoral, Bibi Netanyahu foi muito claro; enquanto fosse primeiro-ministro, nunca haveria um Estado palestino.

Depois desmentiu, mas essa súbita mudança não pegou.

Agora, acompanhando a visita do premier à Rússia, o ministro da Agricultura, Uriel Ariel, proclamou: o mundo deve esquecer a ideia de um Estado palestino.

Justamente num momento em que Netanyahu procura ganhar a boa vontade internacional, falando em aceitar o Plano de Paz da Liga Árabe como base de negociações com os palestinos, Uriel foi sincero. Declarou que o gol de Israel deve ser anexar 60% da Cisjordânia (o West Bank), ou seja, parte da chamada área C, ora sob controle militar direto de Israel.

Inicialmente, ele afirmou que na área C não havia palestino algum. Acabou admitindo que “teríamos de remover uns poucos milhares, o que não constitui um significativo fator numérico. ” Uriel os menosprezou: “uns poucos milhares” que seriam removidos de seus lares não lhe parece significativo.

O que é estranho, afinal seria muita gente deportada, sem ter cometido qualquer falta.

O problema maior é que esses palestinos habitantes da área C são bem mais do que diz o ministro Uriel. A ONU calculava em 297.500, em 2014.

Mesmo que o programa israelense de limpeza étnica tivesse nesses dois anos funcionado com imensa eficiência, ainda assim, segundo a mais baixa avaliação israelense, ficaram na área C cerca de 55 mil palestinos.

A expulsão forçada de toda esta gente seria certamente um escândalo internacional, que, além de pôr a imagem israelense de rastros, ainda poderia implicar em sanções contra o país.

Continuando suas sinceras declarações, Uriel, cujo partido, o Lar Judeu, integra a coalisão governante, explicou que a anexação da área C seria apenas o primeiro passo. Eventualmente, quando houvesse condições políticas, Israel expulsaria todos os palestinos e anexaria o resto da Cisjordânia.

Um passo desta grandeza, representaria a remoção de mais 2 milhões de palestinos para “um lugar qualquer”, como explicou Uriel.

Em outra ocasião, em reunião com o embaixador americano Dan Shapiro, o deputado Moti Yogev continuou na linha de sinceridade do ministro Uriel, conforme contou a repórteres: “Eu lhe disse que a ideia dos 2 Estados é um bonito slogan, mas ela não traria nem estabilidade, nem segurança à nossa região. ”

O novo ministro das Forças armadas, Avigdor Lieberman, não copiou a franqueza de seus colegas do regime de ultradireita vigente em israel.

Não dá para acreditar nos seus surpreendentes acenos de paz aos chefes palestinos e no entusiasmo com a “solução dos 2 Estados. “

Afinal trata-se do mesmo homem que, entre outros rugidos, propôs a execução dos membros árabes do parlamento judeu, o afogamento dos prisioneiros palestinos no Mar Morto, o bombardeio da represa egípcia de Assuan, além de fazer comentários interpretados como favoráveis ao lançamento de um ataque nuclear contra Gaza e à degola dos palestinos cidadãos de Israel.

Não dá para acreditar que um feroz falcão tenha se transformado em pomba depois de velho.

 

 

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