Marcha-à-ré na Palestina.

O Wall Street Journal anunciou há poucos dias que o presidente Obama, não querendo passar à História como um lame duck qualquer, estaria disposto a promover as mais corajosas mudanças prometidas em seus tempos de candidato a presidente.

Além de fechar Guantánamo, ele pretenderia inclusive encaminhar a solução do problema palestino.

John Kerry, seu secretário de Estado, já estava no Oriente Médio apresentando um plano que previa concessões dos dois lados.

Os palestinos topariam o reconhecimento de Israel como país sionista e democrático e o fim da idéia de trazer de volta os refugiados expulsos por Israel nas lutas pela criação do seu Estado.

E os israelenses aceitariam a interrupção da expansão dos assentamentos e Jerusalem Oriental como capital do Estado da Palestina.

Os dois estados teriam suas fronteiras baseadas no armistício de 1949, com troca de terras de acordo com as mudanças nas populações.

Netanyahu, ficou até chocado com a proposta americana.

Por incrível que parecia, Obama estava propondo idéias que poderiam concretizar algo que o primeiro ministro de Israel jamais admitiria: uma Palestina independente.

Abbas surpreendeu ao também discordar.

Explica-se: sua imagem vai de mal a pior junto a seu povo, que o vê como alguém fraco e submetido aos EUA, que não andou um só metro no caminho da libertação da Palestina.

No entanto, as esperanças de paz não morreram pois Obama demonstrara disposição em encarar o problema e não desistiria certamente de começar a viabilizar a solução dos 2 Estados independentes na Palestina.

Esperanças vãs.

Depois de alguns dias, a Casa Branca negou as informações do Wall Street Journal (que aliás, costuma ter boas fontes).

Seu porta-voz afirmou enfaticamente que os EUA continuavam achando que somente através de negociações bilaterais entre Israel e palestinos o drama teria um happy end.

Exatamente a mesma posição do governo de Telaviv, que já se provou totalmente ineficaz.

Para não se mostrar omisso, Obama, uma vez mais, encorajou o dois povos a darem passos afirmativos para restaurar confiança na solução dos 2 Estados independentes.

Netanyahu deu um passo, porém nada afirmativo.

Promoveu a anexação pelo exército de Israel de vasta área de terras aráveis na Cisjordânia, que seriam em parte ocupadas por assentamentos judaicos.

EUA, Alemanha e Reino Unido protestaram clamando que isso não ajudava à causa da a paz.

Teria sido a a décima, talvez a vigésima vez.

A França foi além dos protestos.

Jean Marc Airault, seu novo primeiro ministro, viajou à Palestina para apresentar a Abbas e Netanyahu o plano francês. Que é muito simples:a realização de  uma conferência internacional, com outros países, além de Israel e Palestina, para ditar os termos de um acordo final..

É quase o mesmo que foi proposto pelo seu antecessor, Laurent Fabius. Só que, ao contrário ao plano desse estadista, não prevê o reconhecimento automático da Palestina como país independente caso não se chegue a um acordo no prazo de um ano.

Abbas achou simpático.

Netanyahu refugou novamente.

Sabe que havendo outros países nas negociações, certamente somariam com a maioria dos desejos palestinos, pois a imagem de Israel braceja no fundo do poço.

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