Lição de falta de democracia.

Os 3.000 detentos da prisão de Bagran estão sendo passados pelos americanos para o controle do governo do Afeganistão.

Tanto o Presidente Obama quanto o Presidente Karsai saudaram essa entrega como “um grande passo para a soberania do país”.

Infelizmente, nuvens negras empanaram esse aparente céu de brigadeiro.

Constatou-se que muitos prisioneiros não foram formalmente acusados, muito menos julgados e podem ter sido alvo de pesadas violências, segundo acusação de uma comissão de investigação afegã.

A advogada da Human Rights First, Daphne Eviatar, em entrevista à CNN, referiu-se à prisão de Bagran assim: “É pior do que Guantanamo, porque lá há ainda menos direitos.”

Karsai, o Presidente afegão, aproveitou para alfinetar seus mestres americanos: “Agora, a prisão de Bagran se tornará uma prisão regulamentar do Afeganistão onde os inocentes serão libertados e o resto dos prisioneiros serão sentenciados de acordo com as leis do Afeganistão.’

As autoridades militares dos EUA não gostaram nada do governo afegão ter decidido tratar os talibãs de acordo com as leis, ao invés de mantê-los presos, sem julgamento, de acordo com o “american way”.

Por isso mesmo, apesar de, oficialmente, todos os prisioneiros afegãos terem passado à guarda do seu país, alguns deles foram retidos pelo exército dos EUA.

Comentando essa situação, disse Tina M. Foster, Diretora Executiva da International Justice Network :”Ao contrário dos objetivos estabelecidos pela Administração Obama de incrementar a soberania afegã e fortalecer o império da lei, este aspecto da transição deixará um legado perigoso de poder sem controle  e sem limites nas mãos de quem quer que  chegue ao governo do país depois que as forças da coalizão se retirarem.”

 

 

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