A justiça tarda, mas chega aos torturadores chilenos.

O coronel da reserva Cristian Labbe era importante chefe na DINA, a polícia secreta chilena nos tempos do ditador Pinochet (1973-1990).

Sob as ordens de Labbe, agentes prenderam, torturaram e mataram à vontade pessoas que contestavam ou poderiam contestar o regime.

Com a queda de Pinochet e a eleição de um governo democrático de centro-esquerda, ele não respondeu por seus crimes. Beneficiou-se de uma lei imposta pelas Forças Armadas que protegia os militares de processos por crimes políticos durante a ditadura.

Apesar das muitas denúncias contra o coronel, ele foi eleito em 1996, prefeito de Providência, distrito da capital, Santiago, pela UDI, partido de extrema-direita.

As críticas à sua atuação em atentados contra os direitos humanos praticados pela DINA (polícia secreta) nunca cessaram.

Em 2012, finalmente, Labbe foi derrotado nas eleições, perdendo seu cargo.

Processado, juntamente com outros nove policiais e militares, por homicídio, seqüestros, tortura e associação ilegal, teve sua ordem de prisão decretada neste mês pela juiz Marianela Cifuentes.

O clima agora é outro.

O novo governo acaba de declarar sua intenção de rever a lei de anistia aos crimes políticos praticados na era Pinochet por militares e paramilitares.

Caso consiga, os juízes vão ter muito trabalho.

Membros da DINA e  das forças armadas chilenas vão lotar os bancos dos réus.

Três mil pessoas assassinadas ou desaparecidas e 28 mil torturadas pedem justiça.

 

 

 

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