Iraque: guerra civil pelo petróleo e algo mais.

Contrato da Exxon Mobil pode provocar uma guerra civil entre o Iraque e o Curdistão.

Ele foi assinado com o governo da região semiautônoma curda para exploração do petróleo ao longo da sua fronteira com o Iraque.

Malik, o premier iraquiano, declara que, apesar de semiautônomo, o Curdistão faz parte do Iraque, sendo sujeito às leis que dão o controle de toda atividade petrolífera ao governo de Bagdá.

Segundo seu assessor, Sami Alaskary: ”O primeiro ministro foi claro. Se a Exxon puser um dedo neste território, enfrentará o exército iraquiano. Nós iremos à guerra, pelo petróleo e pela soberania iraquiana.”

Por sua vez, o Iraque terá de enfrentar o exército do governo curdo, o aguerrido Peshemearga.

Caso Maliki insista em cancelar o contrato da Exxon, os curdos já garantiram que estão prontos a lutar por sua separação total do Iraque.

Contam com o apoio dos EUA.

Já existem em andamento contratos com várias empresas de petróleo americanas, às quais os curdos oferecem melhores condições financeiras e operacionais.

E não vamos esquecer que a ação de Maliki é contra os interesses de uma grande corporação americana, a Exxon.

Tendo adversários tão poderosos, porque o governo Maliki está reagindo de forma agressiva no presente caso?

Afinal, em semelhantes contratos anteriores, ele se  limitou  a grandes protestos, acusações dos curdos estarem usurpando direitos de Bagdá.

E ficou por aí…

É que as circunstâncias envolvidas no presente affair são muito especiais.

A Exxon tinha um contrato com o governo federal para explorar os gigantescos campos de petróleo de Qurna-1, no Sul do país.

Aí foi atraída pela possibilidade de explorar os campos na fronteira com o Kurdistão, em condições bem mais vantajosas.

Como o governo de Bagdá não admite trabalhar com empresas que negociem em separado com os curdos, a Exxon não fez segredo de suas intenções de fechar com o Curdistão , perdendo seu contrato sobre Qurna-1 .

Foi quando um parceiro inesperado se apresentou.

A China já é o maior importador de petróleo do Iraque.

Sua política de expansão internacional vê com os melhores olhos  a penetração acelerada de suas empresas no setor petrolífero iraquiano, oferecendo condições bem melhores do que as das empresas privadas americanas e até das russas.

O que é fácil uma vez que, ao contrário dos seus concorrentes, não tem acionistas a quem garantir bons lucros.

Ao saber dos problemas da Exxon com Bagdá, a China apressou-se a apresentar interesse em assumir o contrato de exploração de Qurna-1.

Negócio fechado dará aos chineses o primeiro lugar entre as empresas petrolíferas estrangeiras, subindo dos atuais 21% do mercado para 32%.

Para o Iraque também é bom por duas razões principais:

1-    As condições dos contratos com chineses trazem lucros mais altos para o Iraque;

2-    Com as  empresas americanas perdendo o primeiro lugar no mercado do petróleo, diminuirá sua influência e poder no país. O Iraque poderá ter uma política internacional mais independente.

Os perdedores seriam os curdos, cuja busca de uma maior autonomia seria reprimida e os EUA, por razões óbvias.

Envolver-se em mais uma guerra civil está totalmente fora dos planos de Obama.

Mesmo porque, ele não desistiu do Iraque, não pode deixar que ele se afaste pois, fatalmente, cairia nos braços do Irã.

Não se sabe o que os EUA farão para apartar os contendores.

O Curdistão não parece preocupado.

Confiante no apoio americano, ele está roncando grosso.

Até já deu uns tiros.

Soldados da força Peshmerga abriram fogo contra helicópteros iraquianos que estariam fotografando suas posições na região da fronteira.

 

 

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