Inspeções totais garantem acordo nuclear.

Dia 20 começa reunião decisiva para resolver a questão nuclear iraniana.

Com exceção de Israel, todos os países manifestam otimismo quanto a seu resultado.

O premier Netanyahu continua garantindo que o único acordo que serve é o total desmantelamento do programa nuclear de Teerã.

Alega que, mesmo prometendo parar de enriquecer urânio a 20% e entregando ou colocando sob controle internacional o estoque existente desse material, os aiatolás, secretamente, irão em frente com seus maléficos planos.

E em algumas semanas, já terão as bombas do Apocalipse prontas para lançar sobre Israel, criando um holocausto moderno nos indefesos judeus.

A realidade não parece estar de acordo com as previsões deste Nostradamus moderno.

Mesmo que, de fato, os aiatolás na calada da noite, produzissem sua arma de destruição em massa, eles jamais bombardeariam Israel: eles podem até ser fanáticos, mas não são loucos.

Sabem que, em resposta, Israel usaria algumas de suas 200 bombas nucleares sobre o Irã, reduzindo o país a escombros e fumaça.

Os próprios dirigentes de Telaviv estão a par disso.

No ano passado, Ehud Barak, então ministro da Defesa de Israel, declarou à imprensa: ”Não penso que os iranianos, mesmo que tivessem  a bomba, lançariam contra seus vizinhos.  Eles tem consciência total do que se seguiria. Eles tem um processo de tomada de decisões muito sofisticado e compreendem a realidade.”

E não tem a bomba, conforme asseguraram as 16 agências de inteligência americanas, que diariamente espionam as instalações nucleares iranianas por câmeras ocultas nas suas imediações e por satélites que as sobrevoam, sem falar nas ações de vigilância de telefones e computadores da hoje famosa NSA.

A todas  estas evidências poderá se somar mais uma – definitiva, talvez: a expansão da fiscalização da IAEA( Agência Internacional de Energia Atômica) para toda e qualquer parte no Irã.

Desde a posse de Amano, seu presidente, a IAEA sempre produziu relatórios críticos sobre possíveis aventuras nucleares iranianas. Suspeitos, considerando a troca de cartas entre ele e autoridades americanas, revelados pelo WikkI Leaks, na qual Amano mostrava-se um bom amigo e aliado dos EUA.

No entanto, nunca trouxe nada de conclusivo sobre possíveis culpas do Irã. Limitou-se, no máximo, a apresentar dúvidas, embora sempre admitindo não haver evidências de que o urânio a 20% fosse desviado para fins militares.

Para a IAEA era problema o fato do Irã não permitir que fossem inspecionadas instalações militares não relacionadas ao programa nuclear, alegando que, além de ser irrelevante, havia o perigo de uma exposição de segredos militares a seu inimigo, Israel.

Essas restrições não eram ilegais,  pois os iranianos, embora tendo assinado o Protocolo Adicional da IAEA em 2003, retiraram-se em 2006, deixando de implantar as normas permissívas do protocolo.

Depois da posse de Rouhani na presidência do Irã, em agosto, as relações do país com a IAEA melhoraram muito.

Ele paralisou totalmente a expansão do programa nuclear iraniano.

Em novembro, o governo de Teerã permitiu acesso dos inspetores às minas de urânio e a outras instalações nucleares antes complicadas de serem visitadas.

Amano, o presidente da IAEA, quer mais.

Ele afirmou: “A agência não estará em condições de oferecer garantias críveis quanto à ausência de não declarados materiais e atividades nucleares no Irã a menos que o Irã ofereça a cooperação necessária com a agência, incluindo a implementação do Protocolo Adicional.”

Isso significa permitir o mais amplo acesso dos inspetores  a todas  instalações que a IAEA quiser, inclusive aquelas onde materiais nucleares não são normalmente usados para pesquisa ou armazenamentos.

A base de Pashin, apontada como possivelmente usada para testes de armas nucleares, seria certamente uma das instalações vistoriadas.

Os P5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) deverão exigir que o Irã assine sua volta ao Protocolo  Adicional da IAEA.

E permita a instalação pela IAEA de câmeras de controle remoto para monitorar as unidades de enriquecimento de urânio e obter informações antecipadas de planos para construir instalações nucleares.

Ao que tudo indica, Rouhani vai topar.

Com isso, estará aberta a porta para a paz.

Caso o Irã cumpra sua parte, a chamada comunidade internacional pode ficar tranqüila que o país não irá entrar no seleto clube dos possuidores da Bomba, do qual elas (exceto a Alemanha) são os principais integrantes.

Amano garante que a IAEA estará plenamente capacitada a vigiar o programa nuclear de Teerã com absoluta segurança.

Atualmente, 20 executivos  viajam para o Irã com regularidade, sendo que o número de inspetores vigiando o país  é muito maior.

Os diretores da IAEA informam que poderão inspecionar as instalações nucleares do Irã com freqüência suficiente para detectar qualquer eventual tentativa de desviar materiais para armas nucleares no momento adequado.

Com a ampliação dos locais a serem vistoriados, haverá um número maior de inspeções, o que aumentará ainda mais a segurança da vigilância.

Claro, a ampliação dos poderes da IAEA seria apenas um aval ao cumprimento das principais obrigações que os P5+1 vão exigir do Irã, ou seja: a interrupção ou limitação do enriquecimento de urânio a 20%, a destinação do estoque desse material e a destinação da instalação de água pesada de Arak.

Mas tapa a boca de Netanyahu quando ele diz que nenhum acordo serve porque os aiatolás o descumprirão.

O ambíguo Hollande não vai ter coragem de continuar fazendo o jogo do israelense e dos interesses da indústria de armas francesas.

As esperanças do chefe do governo de Telaviv repousam no habitualmente fiel congresso americano e na falta de coragem de Obama de enfrentar esse pessoal.

Desta vez, parece que será diferente. Obama e sua equipe estão suando a camisa para convencer a maioria democrata no Senado e os republicanos conscientes.

E tendo êxito.

O projeto da Casa dos Representantes, criando novas sanções que fariam os aiatolás arrancarem as barbas de ira, está sendo brecado, sua discussão foi adiada até a conclusão das reuniões de Genebra.

Até o senador John McCain, destaque do war party, ficou a favor disso.

Resta esperar que as potências também escolham a paz.

É simples assim.

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