Imprensa e propaganda na guerra da Síria.

A grande imprensa tem todo direito de tomar partido na guerra da Síria.

Mas, ao informar, não pode ser parcial.

Do contrário, está traindo sua missão e enganando o leitor.

No caso dos civis assassinados em Houla, a imprensa rapidamente aceitou a versão rebelde e atribuiu a culpa ao governo.

Até que um jornal sério, o Frankfurter Algemene, publicou uma reportagem que, no mínimo, lançava dúvidas sérias sobre os verdadeiros autores da chacina.

Agora, a história se repete.

Os principais jornais e emissoras de rádio e             TV denunciaram na semana passada, com grande destaque, o que chamaram de “o maior massacre da guerra da Síria”. Entre 300 e 600 pessoas, inclusive crianças, mortas pelo exército e milícias pró-governo, na cidade de Daraya.

O fato horrorizou o mundo. Até o socialista Hollande falou em intervenção militar na Síria, zona de exclusão aérea, etc

Hillary Clinton clamou que Assad tinha, mais uma vez, passado da conta.

Alguns dias depois, novo atentado.

Um carro-bomba explode num funeral em Damasco matando 27 pessoas e ferindo 48.

Desta vez, a mídia foi prudente.

Embora o funeral fosse de aliados de Assad, e os cidadãos  que o acompanhavam provavelmente também seriam, não tomou partido, apresentando duas versões opostas: a do governo, que atribuía o atentado aos rebeldes e a do Conselho Nacional Sírio que garantia ter sido o próprio Assad o mandante para “desviar a atenção” do incidente de Daraya.

Ao governo russo, muito criticado por vetar na ONU intervenções estrangeiras, coube uma atitude de bom senso.

Solicitou investigações imparciais da ONU sobre a chacina de Daraya e o atentado de Damasco.

Não sei se sua proposta será aceita e, se for, qual será seu resultado.

Só sei que divulgar sistematicamente como reais as versões dos rebeldes e negar sempre as do governo Assad, não é jornalismo.

É apenas propaganda.

Aliás, mal feita.

 

 

 

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