Honduras, depois do golpe.

A ONU acaba de apresentar o ranking da criminalidade no mundo. O líder destacado é Honduras, com o maior índice de assassinatos, sendo que sua segunda maior cidade, San Pedro de Sula, derrota nesse quesito até Juarez, a capital dos cartéis de drogas do México.

O Presidente Porfirio Lobo não pode ser isentado de culpa nessa situação pelo clima de ódio e violência que instituiu no país.

Ele foi eleito em 2009 após um golpe militar que depôs o Presidente Zelaya. Tanto o golpe quanto essa eleição foram repudiados inicialmente por todos os países da América.

Os EUA que condenaram o golpe e chegaram a cortar subsídios para forçar o regime militar a renunciar, foram dos primeiros países a reconhecer o presidente escolhido num pleito organizado pelos próprios golpistas.

Devido a acusações de fraude e perseguições durante a campanha, a maioria dos candidatos de oposição renunciaram e todos os principais observadores internacionais boicotaram a eleição, com exceção do National Democratic Institute e do International Republican Institute, ambos financiados pelos EUA.

O governo Lobo foi marcado desde o início por violenta repressão dos oposicionistas, dos quais 34 desapareceram, presumivelmente assassinados. A respeitada instituição de Direitos Humanos Cofadeh acusam as forças de segurança pelo assassínio de mais 300 pessoas. Pelo menos 13 jornalistas foram vitimados refere o Comittee to Protect Journalists. Ainda de acordo com a Cofadeh, pelo menos 43 ativistas camponeses numa disputa de terras no vale de Aguán foram mortos pela polícia, militares e capangas de Miguel Facussé. Este indivíduo, a maior fortuna do país e firme aliado de Porfirio Lobo, foi citado pelo embaixador dos EUA, conforme revelação do Wikki Leaks, como proprietário de terras usadas para transpasse de cocaína.

Enquanto isso, a população vive em insegurança. O sistema judicial funciona precariamente, a impunidade é a regra.

Não obstante, os EUA mantiveram e até, em certos setores, aumentaram os financiamentos para a Polícia e o Exército, tendo ampliado a base de que dispõe no país.

Felizmente, parte do Congresso parece ter aberto os olhos. Em maio, 87 representantes assinaram uma carta à Secretária de Estado Hillary Clinton, pedindo a suspensão de toda ajuda militar e policial a Honduras.

Em novembro, o representante democrata Howard Berman escreveu a ela, perguntando se os EUA não estaria armando um regime perigoso.

Todos eles estão esperando as respostas.

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