França se reaproximando do Irã.

Quando os EUA decretaram sanções contra o Irã, a Europa foi junto.

A França, então governada por Sarkosy, grande amigo de Israel, era dos mais ardorosos nesse movimento.

Foi um mal passo.

Ninguém perdeu tanto com as sanções ao Irã quanto os franceses.

Durante as últimas décadas, a França vinha sendo o 5º parceiro comercial do Irã.

Com as sanções, suas exportações caíram 60%, de 2 bilhões de euros em 2005 para apenas 800 milhões, atualmente.

Enquanto isso os EUA, grandes promotores das sanções, aumentaram seus volumes de bens exportados para os inimigos – computadores, celulares, refrigerantes – em 50%, nos últimos 2 anos.

A gigantesca petrolífera francesa Total, que insistiu em manter contratos com o Irã, foi processada pelas autoridades americanas por descumprimento das sanções e teve de pagar 400 milhões de dólares de multa aos EUA.

Como resultado das mais recentes sanções americanas, que atingiram o câmbio e as indústrias automobilísticas, a Renault deverá encerrar suas operações no Irã

A Peugeot já teve de ir por aí, em 2012, saindo do país onde atuava há 35 anos, e perdendo seu maior mercado no exterior.

Isso representará uma queda de vendas da ordem de 16,5%, bastante séria, considerando a recessão que vive a França.

Em agosto, Rouhani vai assumir a presidência e as coisas poderão mudar.

Ele já declarou que deseja negociações diretas com os EUA e Obama respondeu que estaria de acordo.

Aproveitando a nova onda que se desenha, Hollande já começou a preparar o terreno para uma volta da amizade Paris-Teerã.

Declarou que, com a ascenção do moderado Rouhani, seria lógico o Irã participar da conferência de Genebra, onde se discutirá a paz na Síria. Coisa que até ontem ele não aceitava de jeito nenhum.

Comenta-se que já há uma tendência de se iniciar discretamente transações entre empresas francesas e iranianas.

Tudo será facilitado caso Hollande e Rouhani cheguem a um acordo sobre as situações no Líbano e na Síria,onde , presentemente, os interesses dos seus países se confrontam.

Claro, depende também  de Obama ser compreensivo: a estas alturas, reatar relações econômicas com o Irã seria um maná para a França em recessão.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *