Enfim, Gaza livre.

Com a eleição de Morsi, da Irmandade Muçulmana, a presidente do Egito, esperava-se que Gaza fosse desbloqueada.

Depois, ele declarou que iria respeitar todos os tratados, inclusive com Israel. Hillary Clinton fez uma visita com declarações de amor ao novo governo do Egito.

E aí, apressadamente, a maioria dos observadores concluiu que Morsi continuaria amigo dos EUA, mesmo porque seu país estava em péssima situação economica, precisando do apoio financeiro e político da Casa Branca.

Pelo menos, inicialmente, ele se comportaria bem, respeitando os interesses americanos na região. Ou seja: não mudaria a política externa de Mubarak em relação ao Irã e a Israel.

Quanto ao Irã, Morsi ficaria longe dele.

Já Israel, diziam sábios observadores, Morsi continuaria mantendo relações diplomáticas e comerciais, não mexeria no tratado de paz entre os dois países e Gaza…Pobre Gaza.Granes frustrações a aguardariam.

A política israelense em relação a Gaza é garantir as piores condições de vida a seus habitantes para que rejeitem o Hamas como causador de sua desgraça e, gradativamente, o liquidem como movimento político.

O bloqueio era a grande arma usada para realizar esse objetivo.

Com a Primavera Árabe, os militares egípcios, por pressão popular, permitiram o trânsito entre Gaza e Egito pela fronteira, em Rafah, mas somente algumas horas por dia e com muitas restrições e obrigações burocráticas.

Sendo Morsi pragmático, acreditava-se que ele não mudaria esse status, pois facilitar ainda mais a passagem para Gaza, perturbaria os planos israelenses e, por extensão, irritaria os EUA o “god father” de Telaviv.

Aí, adeus dólares.

Morsi surpreendeu.

Ordenou o desbloqueio total da fronteira Egito-Gaza, inclusive para exportação e importação.

Grande decepção em Washington. E Morsi que parecia tão compreensivo…

Eu diria que ele fez seu lance de forma fria e objetiva.

Depois do apoio ao poder civil no Egito, Obama não poderá mudar de posição.

Mesmo pensando em termos de eleição presidencial (para ele sempre a principal preocupação), podem os judeus americanos  ficarem insatisfeitos, mas a insatisfação do povo americano pesaria mais nas urnas, caso seu presidente voltasse atrás e passasse a condenar a Primavera Árabe no Egito.

Agora, vamos ver se Morsi irá ou não fazer a vontade da Casa Branca,  recusando  o reatamento da amizade com o Irã.

Aposto que irá.

Será aos poucos, sem chamar muita atenção.

Quando menos esperarem, os EUA vão descobrir que Morsi poderá ser um novo tipo de amigo no Oriente Médio.

Um amigo independente.

Talvez depois de novembro, se eleito, Obama aceite esta novidade.

Já deu alguns sinais disso, demonstrou aprovação da Primavera Árabe. Resta saber até onde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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