Culpados até prova em contrário

Em qualquer país democrático, todo cidadão é inocente até prova em contrário.
Na Cisjordânia, ocupada por Israel, os palestinos não tem esse direito.

São julgados por tribunais militares, não por juízes civis, onde os direitos de defesa são mínimos. E o testemunho de um soldado, que prendeu um palestino, é suficiente para a condenação.
Com isso, é quase impossível para um palestino ser absolvido por um tribunal militar israelense.
Os números são bastante esclarecedores. Segundo documento do exército de Israel, publicado pelo conceituado jornal israelense Haaretz, em 2010, 99,74% dos réus palestinos foram condenados pelos tribunais militares. Em 9.542 processos, apenas 25 terminaram com absolvição.
Não se trata de uma estatística isolada. Esses números insólitos se repetem ano após ano com uma regularidade incrível. Em 2006, por exemplo, informe da Human Rights NGO Yesh Din revela que 99,71% dos réus palestinos processados em tribunais militares israelenses foram condenados. Ou seja, houve 26 absolvições em cada 8.854 processos.
O mais grave, porém, é que menores de idade são presos, processados e punidos como se fossem adultos.
Entre 2005 e 2010, 34 meninos, com 12 a 14 anos, foram submetidos a processos em tribunais militares.  Na faixa de 14-15 anos foram 255. Por fim, 546 adolescentes, com 16 a 17 anos também contavam-se entre os processados.
A B´tselem, entidade de direitos humanos israelense, denunciou que, de forma absolutamente ilegal, o exército prendeu e levou a processo 2 menores de 12 anos, que é a idade mínima de responsabilidade criminal. Estes casos foram documentados pela B´tselem, que acredita existirem outros iguais.
Em um dos casos documentados pela B´tselem, Mahmoud  Alameh, com 9 anos de idade, foi algemado e teve seus olhos vendados pelo soldado que o levou preso, conforme testemunho de habitantes da cidadezinha onde o menino vivia. Foi informado a eles que o prisioneiro só seria libertado quando parassem de atirar pedras nos soldados. Ou seja, o menino foi raptado e mantido como refém pelo exército israelense.
As violências contra os menores começam quando eles são presos. Na maioria dos casos – 30 em 50 entrevistados pela B´tselem – as prisões ocorrem de noite. Muitas vezes, as crianças são acordadas por soldados, que os arrancam da cama e, em seguida, algemam e vendam seus olhos, embora quase nunca ofereçam qualquer resistência.
Apesar das novas leis do governo de direita, Israel, para os seus cidadãos, ainda é uma democracia. Curioso tipo de democracia que se comporta como uma implacável ditadura em relação aos habitantes dos territórios de outra nação por ela ocupados.

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