A CIA tortura e mente.

O Comitê de Inteligência do Senado realizou uma extensa e completa investigação sobre as atividades da CIA nos tempos de Bush.

Encaminhou a Obama em fins de 2012 para aprovar sua publicação.

Aí a CIA entrou em ação, levantando um mundo de problemas e contestações. Alegou entre outras coisas que no relatório do comitê havia os chamados “fatos classificados”, ou seja, sigilosos. Não poderiam vir a público.

Por enquanto, Obama ainda está estudando a questão. Afinal são 6.300 páginas densas, cheias de fatos de deixar os cabelos em pé.

Mas  os senadores tem pressa. Talvez para facilitar o trabalho do presidente, produziram um resumo, somente com os tópicos principais.

O Washington Post ouviu um oficial que atuou na investigação, o qual, sob condição de anonimato, fez uma série de revelações.

Elas estão num texto publicado na edição online do Post, de 31 de março.

O relatório detalha o uso indiscriminado de torturas dignas da SS nazista.

Além do tradicional waterboarding, celebrado pelo ex-vice Dick Cheney, era comum mergulhar o suspeito num tonel cheio de água gelada. Sua cabeça era forçada para dentro pelos interrogadores da CIA. Enquanto a vítima lutava para respirar, seus algozes a espancavam repetidas vezes. Em seguida, reecebia uma chuva de cacetadas, sendo, por fim, sua cabeça batida fortemente contra a parede.

Nem todos os rapazes da CIA tinham estômago para isso.

O relatório cita um caso, ocorrido numa casa secreta da CIA na Tailândia, onde um dos interrogadores não agüentou as brutalidades a que era obrigado a assistir e abandonou o “ trabalho”.

Em outros casos citados, agentes da CIA continuaram torturando, mesmo depois de analistas  concluírem  que o suspeito nada mais tinha a informar.

O relatório também dá uma resposta ao grande argumento dos adeptos da tortura: seria necessária para se obter informações vitais.

Diz o oficial citado pelo Washington Post: “A CIA, várias vezes,  defendeu  (seu programa) no Departamento de Justiça e eventualmente ao Congresso como tendo conseguido dados de inteligência únicos, que de outra forma jamais seriam conseguidos, que ajudaram a desmantelar um plano terrorista e salvar  milhares de vidas. Teria sido verdade?”

Com base na investigação, o oficial concluiu:

“A resposta é não.”

 

 

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