Barak propõe Palestina mínima.

Ehud Barak, Ministro de Defesa de Israel, abriu o jogo.

Em entrevista publicada no jornal de direita Israel Today propôs que Israel anexasse formalmente os três maiores blocos de assentamentos – Gush Etzion, Maale Adumin e Ariel – onde vive a maioria dos 350 mil israelenses residentes na Margem Oeste.

O restante seria concedido aos palestinos para ali formarem um estado independente.

Nessa área existe pouco mais de uma dúzia de pequenos assentamentos, cujos moradores seriam transferidos para o território de Israel, recebendo indenização ou terras em troca.

Nos novos territórios anexados localizam-se as melhores terras agriculturáveis e os principais aqüíferos.

O exército de Israel manteria o controle de pontos estratégicos como as colinas em volta do aeroporto internacional Ben Gurion, perto da cidade de Lod, e o Vale do Rio Jordão, o mais importante recurso hídrico de toda a Palestina.

Jerusalém Oriental seria definitivamente israelense.

Defendendo sua proposta, disse Barak :”Chegou a hora de olhar a sociedade israelense nos olhos e dizer “conseguimos manter de 80% a 90% da população judaica (dos assentamentos) em Israel, depois dela sair durante anos com o estímulo do governo de Israel’. Esta é uma grande realização, se conseguirmos trazê-los para dentro de fronteiras permanentes de Israel.”

E concluiu:”Seria melhor ter feito isso de acordo com os palestinos, mas não deu certo, medidas práticas precisam ser tomadas para iniciar a separação.”

Se esta for a visão do premier Netanyahou e seguidores, ficará claro que a adesão de Israel à tese dos 2 estados, com fronteiras e condições de segurança negociadas pelas partes, não era para valer.

Em primeiro lugar, porque, esta proposta  se levada a cabo, não terá se originado das negociações  tão apregoadas por Obama & Europa como a única solução para o problema. Mas de uma imposição de potência ocupante sobre povo submetido. Nada democrática, portanto.

Em segundo lugar, porque o conceito dos 2 estados implicava também numa Palestina independente e viável.

Como poderá ser independente se tiver o exército de Israel em seu território, controlando o vale do Jordão e outros pontos estratégicos?

Mais grave ainda: a viabilidade da nova Palestina seria definitivamente comprometida se o seu território tivesse a dimensão geográfica da proposta Barak.

Ficaria com as piores terras da região, com escassez de água- dependendo de fontes localizadas nas regiões que lhes foram tomadas, carentes de estradas e ainda por cima com o assentamento de Ariel penetrando como uma cunha 10 milhas adentro da Margem Oeste.

Isso sem falar na perda de Jerusalém Oriental, habitada majoritariamente por palestinos e uma das cidades santas do Islã.

E, talvez ainda mais importante: a Palestina independente teria uma superfície mínima.

‘”Seria desastroso”,  declarou Noun Odeh, porta voz da Autoridade Palestina,” não tem nada a ver com a solução dos 2 estados.”

Ela foi enfática e muito clara:”Todos esses assentamentos- sua presença, sua expansão, suas fronteiras expandidas- é tudo ilegal e nós não reconhecemos sua legitimidade.”

 

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