Atacar o Irã nem depois da eleição.

A partir de setembro Bibi parece ter se acalmado.

Obama deixou mais do que claro: se você atacar o Irã, não conte comigo, pois o povo americano está farto de guerras e as eleições estão aí.

Ao mesmo tempo, saiu a declaração da Agência de Energia Atômica da ONU (IAEA), informando que o Irã estava usando seu estoque de urânio enriquecido a 20% em fins medicinais, não para fazer bombas nucleares.

Com isso, segundo Bibi Netanyahu e Ehud Barak, só lá por meados de 2013 Teerã poderia produzir novos estoques de urânio a 20% suficientes para seu suposto projeto nuclear militar.

Portanto, o bombardeio do Irã poderia esperar mais um pouco.

Agora que as eleições americanas estão por dias, Bibi ponderou que o principal motivo para esse adiamento também estaria por dias.

E já foi afirmando que um ataque israelense às instalações nucleares iranianas seria recebido com festas pelo mundo árabe, cujos líderes temeriam o expansionismo do governo dos aiatolás.

Rapidamente, autoridades militares americanas apressaram-se a jogar água fria no entusiasmo do bélico premier israelense.

Garantiram que não deveriam contar com a simpatia dos árabes, nem mesmo dos pequenos países do Golfo Pérsico, vizinhos incomodados do Irã.

“Eles poderiam apoiar um ataque maciço ao Irã, mas eles sabem que isso não acontecerá. Eles sabem que um ataque limitado não valeria à pena porque não destruiria o programa nuclear e apenas enfureceria os iranianos,” declarou um oficial.

E aí sobraria para os países vizinhos, aliados dos EUA.

Além disso, com a Primavera Árabe, os povos do Oriente Médio acostumaram-se a sair às ruas defendendo seus direitos e suas crenças. Haveria revoluções populares caso os governantes do Qatar, Oman, Bahrein e Kuwait ficassem ao lado de Israel, contra o Irã nesse conflito.

Ora, a Marinha e a Aviação americanas dependem de suas bases nesses países para reabastecimento e fornecimento de provisões.

Se Israel atacasse primeiro, os governos dos países do Golfo certamente não permitiriam que os EUA usassem suas bases ali localizadas de medo de uma inevitável e talvez incontrolável reação das ruas.

Portanto, se Israel decidir unilateralmente mandar seus aviões encherem o Irã de mísseis, vai ter de se virar sozinho.

Os EUA sentirão muito, mas terão de ficar de fora.

Claro, desde que Romney não vença…

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