As culpas de Israel.

As vítimas do Holocausto eram judeus,  principalmente da Europa Central.

Isso não quer dizer que judeus de outras regiões tenham ficado indiferentes ao que aconteceu nos campos de extermínio.

Pelo contrário, todos eles (e a própria humanidade) ficaram horrorizados e condenaram com a maior veemência os crimes cometidos pelos nazistas.

Evidentemente, o que Israel está fazendo com os palestinos não atinge o mesmo grau de horror.

No entanto, suas ações contra os árabes palestinos, também violam direitos humanos; também são sentidas e provocam indignação entre os árabes e em pessoas do mundo inteiro.

Israel espalha assentamentos ilegais em terras palestinas, expulsando os legítimos proprietários palestinos.

Que, em Jerusalém Oriental, vem tendo suas casas demolidas pela polícia, num programa que visa a ocupação da região por habitantes judaicos.

Invocando sua segurança, Israel prende palestinos  e os mantém detidos em prisões, sem julgamento e por prazos indeterminados. Fazem o mesmo com crianças, confinando-as até mesmo em celas solitárias.

Israel encheu a Margem Oeste de barreiras e “check-points”, impedindo por horas, ou mesmo por dias, a passagem de palestinos. Muitas vezes somente passam  aqueles que tem mais de 40 anos ou menos de 15.  Isso ocorre no meio de estradas ou na entrada de cidades.

Israel está acabando de construir um muro na fronteira com a Margem Oeste, que, em muitos pontos, entra dentro dessa região, dividindo cidades, fazendas e até casas.

Israel bombardeou e invadiu Gaza, cometendo atrocidades constatadas por comissão de inquérito da ONU.

Israel atacou a “Flotilha da Liberdade”, que levava suprimentos a Gaza, matando 9 pessoas e ferindo muitas outras.

Israel submete Gaza a 5 anos de um bloqueio que já causou uma crise humanitária na região, com milhares de crianças sub-alimentadas e portadoras de traumas psicológicos devido aos constantes bombardeios pela aviação israelense.

Por coisas assim, Israel já foi condenada na ONU por dezenas de violações de direitos humanos e das leis internacionais. Nenhuma atitude concreta foi tomada devido ao veto amigo dos EUA.

A maioria destas e de outras ações ilegais ou desumanas (não citamos todas) continuam sendo executadas pelas autoridades israelenses.

Que constantemente declaram seu desejo de entrar em negociações com dirigentes palestinos para discutir a independência, mas impedem que se realizem, recuando-se a interromper a criação de novos assentamentos.

A construção de novos assentamentos significa um aumento da área de terra palestina tomada pelos ocupantes israelenses. É  evidente que, se desejam mesmo a independência da Palestina, os israelenses teriam de parar de tomar as terras que fariam parte do novo Estado.

O cônsul de Israel acaba de publicar um artigo na Folha negando que o conflito israelo-palestino seja a principal causa do “descontentamento árabe.”

Não sei dizer se esta afirmação é correta ou não. Ao que eu saiba, ainda não se realizou uma pesquisa sobre o assunto.

No entanto, me parece evidente que a opressão dos palestinos sob Israel é, pelo menos, uma das principais causas da indignação dos árabes no Oriente Médio.

Certo que os regimes despóticos do Egito, da Tunísia, da Líbia e também do Bahrein, da Síria e da Arábia Saudita provocaram a Primavera Árabe, com o povo lutando por democracia, direitos humanos e distribuição de renda justa.

Governos desse tipo são, sem dúvida, geradores de ódio e instabilidade. O que não quer dizer que  Israel também não seja,  pela ocupação da Palestina e as violências ali cometidas.

O cônsul israelense coloca o Irã como “patrocinador do terrorismo”, tendo, ainda, um programa nuclear que iria” desencadear uma corrida nuclear na região.”

A primeira afirmação é altamente discutível. O Irã apóia o Hisbolá, que só é reconhecido como terrorista por Israel e seu patrocinador, os EUA. A Europa nega que seja.

No Líbano, o Hisbolá é um partido político, com ministros no governo, e uma milícia armada, que provou sua utilidade defendendo o país quando da última invasão de Israel.

E, por falar em terrorismo, o que o cônsul acha do assassinato dos 5 cientistas nucleares iranianos?

Em agosto de 2010 o jornal alemão Der Spiegel revelou o vazamento de uma Informação da inteligência oficial de Israel, admitindo  seu envolvimento no assassinato de 4 cientistas nucleares  iranianos.

Ainda o Der Spiegel entrevistou Ehud Barak, Ministro da Defesa de Israel, perguntando se o seu país  não seria responsável pelos assassinatos. Barak sorriu e falou: “Israel não responde” . Fato  que foi tomado por uma resposta afirmativa, pelos jornalistas presentes.

Quanto ao programa nuclear iraniano, que as 17 agências de inteligência americanas disseram não ser militar, lembro que Israel sim, tem com certeza de 200 a 300 armas  nucleares.

Condenar nos  outros aquilo que a gente tem, não passa de  hipocrisia.

É simples assim.

Voltando aos causadores da instabilidade do mundo árabe, não podemos deixar de lado os EUA.

A invasão do Iraque, que destruiu a infra estrutura do país e matou cerca de 200 mil civis; os bombardeios de drones no Paquistão que, além de matar talibãs, matam milhares de camponeses inocentes; a defesa INCONDICIONAL de Israel, vetando mais de 60 resoluções da ONU contra o governo de Telaviv e impedindo o reconhecimento da independência da Palestina; o apoio às ditaduras da Tunísia, Egito, Bahrein, Yemen, Arábia Saudita, Iraque (durante a guerra contra o Irã e Irã (nos tempos do xá); todos estes fatos alienaram as simpatias dos árabes para com os EUA, estimularam muitos jovens a se alistarem nas fileiras do terrorismo e tornaram sua defesa da democracia uma falsidade.

Pesquisa da Zogby International em 6 países islâmicos do  Oriente Médio,  revelou que somente 12% em média dos respondentes tinham uma posição favorável aos EUA.

Evidentemente, se o conflito da Palestina se resolver com justiça, não vão se resolver todas as principais tensões do Oriente Médio.

Porém, acredito que haverá um grande alívio.

O povo árabe não terá mais motivos para odiar Israel.

Infelizmente, Netanyahu no poder faz isto ser impossível.

Como Obama não tem coragem ou condições de pressionar o presidente israelense, só resta esperar que haja uma reviravolta em Israel.

E seja eleito um governo de visão aberta, com coragem para renunciar aos assentamentos e aceitar uma Palestina independente e viável.

 

Luiz Eça.

Política Internacional.

http://www.olharomundo.com.br

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *