A Líbia sob a lei das milícias.

O congresso da Líbia escolheu um primeiro ministro pela terceira vez em menos de dois meses.

Trata-se do liberal Zaidan, que terá duas semanas para formar um novo governo aceitável pelos parlamentares.

Desde logo ele declarou que seu primeiro objetivo será garantir a segurança do país, formando um exército e uma força policial eficientes.

Para isso serás necessário que ele consiga convencer as muitas milícias espalhadas pela Líbia a entregarem suas armas.

Missão quase impossível apesar das simpatias que ele desperta nos milicianos por ter participado da revolução desde a primeira hora.

Essas milícias são de diversos tipos: algumas pertencem a determinadas cidades, outras a tribos e  ainda outras a diferentes e mesmo opostas seitas islâmicas.

Com a queda de Gadafi, a maioria delas s conservou suas armas.

Fred Abrahams, assessor especial para assuntos líbios da Human Rights Watch, declarou : ”O desafio de hoje é a transformação do domínio das armas para o domínio da lei. Isso é excepcionalmente difícil numa situação de revolução armada.”

Ele não acredita que “as milícias líbias se dissolvam, entregando suas armas num prazo curto pois são o resultado de 42 anos de ditadura.”

Muitas ocuparam diversas regiões do país, assumindo poderes de vida ou morte sobre os habitantes civis.

É comum haver saques, prisões e torturas generalizadas. Por vezes, combatem entre si, levando o pânico às regiões onde estão instaladas.

Bani Walid, por exemplo, uma cidade com uma população entre setenta mil e noventa mil habitantes foi repetidamente saqueada por várias milícias desde o fim da revolução.

Na última vez, durante o saque praticado pela milícia de Misrata, a grande maioria dos habitantes de Beni Walid fugiu, temendo ser assassinada.

Atualmente, sobrevivem, nas cercanias da cidade, num deserto, onde escasseia a água e os alimentos.

Uma organização de ajuda civil tenta convencê-los a voltar.

A milícia, que tomou a cidade, impede, anunciando que ninguém poderá voltar, ao menos nos próximos dias, “por razões de segurança.”

Na verdade, não querem que os jornalistas que acorreram à região testemunhem a grande destruição que causaram e a denuncie ao mundo.

O fraco exército do governo informa que não teve controle sobre o ataque, que foi todo realizado pelos milicianos, ora senhores da cidade. Nem tem condições de interferir nas ações praticadas por eles.

Para alguns observadores, a única forma realista de resolver o problema das milícias seria as incorporar ao exército nacional as menos selvagens.

Pode ser.

O certo é que, ou o governo acaba com as milícias armadas, ou elas acabam com a governabilidade da Líbia.

 

 

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