A Europa dá nota baixa a Israel.

Não é de hoje que a União Européia condena Israel por vários motivos : expansão dos assentamentos, bloqueio de Gaza, desrespeito aos limites de 1967, entre outros.

Mas a verdade é que, nas questões decisivas, quando o governo de Telaviv mais necessita de apoio político, a maioria dos países da Europa costuma estar a seu lado.

Foi assim na discussão do reconhecimento da Palestina como estado independente pela ONU e nas sanções contra o Irã por suspeitas de que teria um programa nuclear militar.

Com a autoridade dessa sua postura amiga, a União Européia surpreendeu pelo volume e pelo teor das condenações às políticas de Israel que acaba de fazer.

Reunida em Bruxelas, ela divulgou dois relatórios em dias sucessivos, que põem muito mal o Governo Netanyahu, pelas suas ações e omissões em uma série de assuntos vitais.

No primeiro, os europeus advertiram que Israel estava arriscando a solução do problema da Palestina, com 2 estados independentes e viáveis (que aceitava desde 1993), através da expansão dos assentamentos; das evicções e demolições de casas de árabes em Jerusalém Leste; das violências e provocações dos israelenses dos assentamentos, em geral toleradas pelas autoridades  e da deteriorização das condições de vida dos palestinos na maior parte da Margem Oeste.

Ameaças capazes de tornar impossível a solução dos dois estados, conforme diz o texto.

Novamente, reafirmou-se que os assentamentos israelenses na Margem Oeste e em Jerusalém Leste eram ilegais, de acordo com a lei internacional. Que qualquer modificação das fronteiras de 1967 não seria aceita pela União Européia sem acordo prévio das duas partes. E que Jerusalém teria de ser a capital dos dois países, ou seja, dividida entre eles.

Esses 3 pontos são exatamente as condições apresentadas pelos palestinos para iniciarem negociações de paz com Israel.

Em função dessa coincidência de posições, a União Européia está automaticamente condenando a resposta negativa de Netanyahu.

Descendo a detalhes, o comunicado da União Européia apela para que Israel cumpra com suas obrigações com a população palestina da chamada “área C” (61% da Margem Oeste), submetida  aos exageros do controle de segurança do exército.

Pede que seja interrompida a transferência forçada de comunidades de beduínos e a demolição de casas e de infra-estruturas; que facilite as autorizações aos palestinos para construirem ou reformarem residências (para eles, extremamente difíceis de obter) e seu acesso a água.

O comunicado relata que 62 projetos de habitações, cisternas e construções agrícolas para palestinos, financiados pela União Européia , foram demolidos pelas forças israelenses no ano passado e mais 110 estão arriscados a sofrerem o mesmo.

O Ministro de Defesa de Israel prepara-se para requerer à Justiça autorização para demolir 12 comunidades para quem o Reino Unido financiou a construção de cisternas de água e instalações sanitárias. O motivo seria estarem localizadas em “zona militar”.

No fim, a União Européia elogia a troca de cartas entre Netanyahu e Abbas, ambos proclamando seu desejo de paz, o qual ficou no desejo diante da objeção do israelense ás pré-condições palestinas.

E termina referindo-se às “legítimas necessidades” de segurança de Israel e condenando os recentes disparos de foguetes de Gaza, que, como é sabido, não causaram mal algum, além de serem em resposta a bombardeios da aviação israelense, que mataram milicianos da região, provadamente inocentes dos ataques a israelenses efetuados por outros grupos, a partir do Sinai.

O segundo relatório ocupa-se,  inclusive, dos problemas internos de Israel, ameaçado de perder sua democracia, segundo Tzipi Livni, ex Ministro das Relações Exteriores do estado judaico.

A União Européia declara que os projetos de leis apresentados por Netanyahu e aliados ao Knesset (Parlamento de Israel) seriam “potencialmente discriminatórios e mesmo anti-democráticos”.

Explicam os europeus que muitos desses projetos não se transformam em leis, mas “seu grande número e o reduzido esforço feito pelos autores para esconder o fato de que foram feitos para beneficiar ou prejudicar indivíduos ou organizações especificamente são preocupantes.”

Considera-se que esses projetos “ tendem a antagonizar as relações com a minoria árabe, complicar o espaço no qual as organizações da sociedade civil e um dos lados do espectro político (a oposição) operam, tentando dominar a Suprema Corte e potencialmente infringir a liberdade de expressão.”

Focando novas adversidades sofridas pelos árabes, o relatório revela que “a liberdade de mídia, a liberdade de expressão e a liberdade de reunião continuaram problemáticas no território ocupado da Palestina, em 2011.”

E lembra que os direitos sociais e econômicos dos palestinos continuam “travados pelas restrições israelenses na sua liberdade de movimentos.”

Os europeus elogiam o exército israelense por terem começado a reprimir as violências dos moradores dos assentamentos,  mas também denuncia que a maioria das reclamações dos palestinos contra essas violências não são sequer investigadas pela polícia de Israel.

O que se conclui do relatório da União Européia é que a celebrada democracia israelense está sob ameaça dos projetos liberticidas e discriminatórios dos parlamentares da base aliada do governo.

Sem contar que, na verdade, ela só existe para os judeus.

Na Palestina ocupada, os moradores árabes são alvo de perseguições, violências e arbitrariedades.

Fatos que nem de longe se espera de um ocupante que apregoa ser a “a única democracia do Oriente Médio.”

 

 

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