A Abu Ghraib inglesa.

“Eu vi o lado negro do exército britânico.”

É um desabafo da oficial Louise Thomas, que fez parte da comissão de inquérito dos métodos de interrogatório de um centro militar secreto no Iraque, o Joint Forces Interrogative Team (JFIT).

Esta unidade operou em 3 locais na área de Basra, entre março de 2003 e dezembro de 2008.

149 iraquianos denunciaram ter sofrido torturas no JFIT, o que levou o Ministério da Defesa do Reino Unido a ordenar um inquérito independente.

O objetivo era verificar se estavam sendo respeitadas as convenções européias sobre direitos humanos.

Esta missão foi entregue a uma comissão especial, o Iraq Historic Allegation Team (IHAT), criada em novembro de 2010.

Posteriormente, advogados dos prisioneiros contestaram a eficiência do IHAT e pediram que o caso dos seus clientes fosse objeto de um inquérito público.

Baseavam-se nas acusações de um ex membro do IHAT, Louise Thomas, antiga policial das forças auxiliares femininas do exército, que acompanhou interrogatórios de guardas e prisioneiros, gravados em 1600 vídeos.

E ficou chocada.

“Os vídeos”, ela disse,”mostraram violências realmente terríveis.”

Espancamentos, humilhações e privação de sono entre as sessões de interrogatório eram práticas normais.

Apenas alguns desses vídeos foram tornados públicos e puderam ser vistos no website do jornal The Guardian.

Um deles mostra um prisioneiro exausto sendo ameaçado de morte, depois de ter sido submetido a privação sensorial (perda da visão, audição, olfato e tacto) e de alimentação.

Em outro, como o prisioneiro se queixasse de dores, o interrogador gritou: ”Ótimo, estou super feliz. Espero que você morra. Espero que seus filhos morram.”

Louise citou mais algumas violências, documentadas em alguns dos vídeos da “coleção” de 1.600, que permaneceram secretos:
– prisioneiros ameaçados de estupro pelos interrogadores;

-prisioneiros informados de que seriam enforcados e dos detalhes de cada etapa do enforcamento;

– um adolescente sendo interrogado, permitindo-se que o pai entrasse na sala para abraçá-lo rapidamente;

– um  homem sendo interrogado nu da cintura para baixo;

– entre duas sessões de interrogatório, homem esmurrado, ficando com um olho preto;

-prisioneiros privados da alimentação;

– muitas vezes: diversos interrogadores berrando nos ouvidos de um prisioneiro a uma distância de poucos centímetros.

A denunciante informou ainda que vários soldados testemunharam ao IHAT que entregaram prisioneiros a forças dos EUA, depois de lhes contarem que seriam enforcados, e que os soldados americanos que os levariam presos faziam gestos mostrando como seriam enforcados.

Segundo Louise Thomas, as violências praticadas no JFIT foram investigadas de modo displicente, sem interesse em descobrir a verdade.

Instalados em base militar perto de Pershey, em Wiltshire, alguns dos investigadores do IHAT mostraram pouco interesse no conteúdo dos vídeos, fazendo comentários como “quem se importa, eles são terroristas…” ou “eles são apenas atiradores de bombas.”

Depois de 6 meses trabalhando na comissão do IHAT, Louise demitiu-se em protesto contra a falta de progressos nas investigações.

No seu entender, os supostos interrogatórios tinham como real objetivo encobrir os procedimentos violentos e ilegais praticados pelos interrogadores.

Diante das evidências, o Ministério da Defesa concordou em mandar proceder um inquérito público sobre as violências cometidas contra os prisioneiros iraquianos.

Mas as coisas não pararam aí.

Louise Thomas denunciou também que, mesmo muito depois de 6 policiais militares encarregados do inquérito  terem sido afastados, eles continuavam exercendo suas funções.

Em novembro passado, isso acabou.

O Ministério da Defesa ordenou a remoção desses militares da comissão do IHAT, pois sua presença, conforme a Corte de Apelação, “comprometia substancialmente” o inquérito.

Descobriu-se que membros desse grupo tinham se envolvido na práticas de violências contra prisioneiros durante os 6 anos da ocupação de Basra.

Eram como raposas investigando mortes no galinheiro.

 

 

 

 

 

 

2 pensou em “A Abu Ghraib inglesa.

  1. O lado negro (não gosto deste adjetivo, mas vai) é particularmente terrível.
    Nós nos acostumamos a colocar todo o horror no nazismo, tendo a guerra nos levado a ver os “aliados” com bons olhos, e os ingleses, especialmente, bem-educados e bem-humorados, gente fina, mas é só dar uma olhada na história da Inglaterra, para ver sadismo refinado. A cho que seu sadismo está na medida do seu recalque pela “boa educação” a que são exigidos . Sabem ser hipócritas os britânicos! Mas uma Louise Thomas diz as coisas e é considerada, e sobrevive. Isto é civilizado, de qualquer forma!

  2. Eu não sei mais em que acreditar..
    Vendo dessa forma, Hitler uns dos primeiros a denunciar o controle que os judeus tem sobre o ocidente..
    70 anos depois nada mudou.. muito se diz sobre nazismo mas pouco se fala porque o holocausto uma ”verdade indiscutível” tem que ser imposta pela força da lei em vários países..
    que verdade é essa?posso negar outros eventos históricos, mas não o holocausto??
    bom.. os ”eleitos” que mandam e desmandam em Washington que se cuidem, porque cedo ou tarde não vão mais conseguir sustentar tantas mentiras..
    Depois do Irã quem vai ser a próxima vítima?

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