Um prego no caixão das negociações da Palestina.

Mais um passo foi dado no enterro das negociações de paz na Palestina.

Depois de renegar sua promessa feita a John Kerry de moderar o ritmo da criação de novos assentamentos, o governo de Israel exagerou.

Divulgou uma lista de financiamentos aos assentamentos, dando prioridade aos novos assentamentos isolados.

Até agora, Israel vinha exigindo que no futuro  acordo de paz, os blocos dos maiores assentamentos, cerca de 80% do total, deveriam continuar no país.

Isso não era pacífico, os palestinos discordavam, Telaviv propunha trocas por áreas israelenses no deserto de Negev.

Não se mencionava os assentamentos isolados, espalhados pelo território palestino. Por isso, ninguém duvidava  que eles ficariam sem discussão para o novo Estado da Palestina.

Agora, parece que nem isso Israel pretende conceder, pois não iria investir em regiões que passariam para outro  pais.

Nem mesmo o sempre compreensivo Abbas poderia aceitar esse inesperado encolhimento do futuro Estado palestino.

Mais do que isso, como os assentamentos isolados estão em todo o território, seriam uma sucessão de enclaves, ligados entre si por rodovias controladas pelo exército israelense, portanto só acessível a palestinos mediante aprovação dele.

Não sei como os palestinos e israelenses moderados irão superar este bloqueio à paz que buscam alcançar nas conversações patrocinadas por John Kerry.

Por sua vez, o Hamas também pregou seu prego

Como se sabe esse movimento, governo em Gaza, está em vias de se reconciliar com o Fatah, que administra parte da Margem Oeste.

Espera-se que  breve formem um governo de coalizão, permitindo que um acordo de paz (cada vez menos possível) possa representar todos os grupos palestinos, não somente o Fatah, liderado por Abbas.

Somente assim esse acordo poderia ter viabilidade real.

Mas, veja o que aconteceu.

Tendo Abbas aceitado as preocupações de segurança de Israel ante uma eventual devolução do vale do Jordão, propôs que ficasse sob o controle de forças da OTAN, por tempo indeterminado.

Pensei que o Hamas questionasse a escolha da OTAN, pois ela pertence ao Ocidente, que o rotula de terrorista, em vez da neutra ONU, representante da comunidade internacional.

Mas não, através do seu porta voz, o Hamas opôs-se à instalação de qualquer força internacional no vale do rio Jordão, junto à fronteira Palestina-Jordânia.

Foi uma posição radical, de quem visa conseguir muito, entregando pouco.

Enquanto tudo isso acontecia  para tornar inevitável o enterro das negociações de paz, Abbas, Presidente da Autoridade Palestina, agiu em sentido contrário.

Em reunião com 250 estudantes israelenses, ele fez uma série de declarações positivas que provocaram palmas delirantes.

Primeiro, ele afirmou que não entendia porque Netanyahu estava tão furioso com a proposta de volta dos refugiados palestinos expulsos de suas casas e territórios pelo exército de Israel na guerra da independência.

Segundo  historiador de Israel, trazido ao Brasil para conferências por uma entidade judaica brasileira, na verdade os palestinos não foram expulsos: apenas fugiram de medo.

Se fosse assim, o que muitos historiadores contesta, teriam bons motivos depois  do exército judaico massacrar os habitantes de 30 aldeias árabes.

A respeito dessa gente, cujas famílias hoje somam  5 milhões de pessoas, Abbas declarou-se compreensivo com o problema que trariam à maioria étnica que o governo de Telaviv quer manter. Por isso mesmo, a idéia palestina limitava-se a discutir o tema, pensando numa solução mais pragmática: a vinda de parte dos refugiados e a indenização dos demais.

Também falou que Jerusalém Oriental não precisava ser separada da parte Ocidental.

A cidade poderia continuar  como está, somente passando a ter duas administrações – uma israelense e a outra palestina.

Por sinal, uma idéia que nem seus comandados do Fatah aceitam,  que, por sinal, me parece absurda. Já imaginou a confusão, quando os dois poderes  discordassem?

O que seria inevitável. De cara, seria preciso resolver se continuaria o despejo de moradores palestinos, cujas casas vem sendo religiosamente derrubadas pelo exército de Telaviv.

Não querendo ter de voltar para casa de mãos vazias, Saeb Erekat, chefe dos negociadores palestinos, preferiu o caminho das ameaças.

Informou que, caso  não  saísse a declaração de independência da Palestina, a casa iria cair…

Os palestinos apelariam para um boicote econômico internacional de Israel, que, aliás, já vem funcionando com êxito, sob liderança de um movimento civil.

Seria algo como o que foi feito contra a África do Sul para derrubar o apartheid.

Em seguida, eles iriam à ONU e aos tribunais internacionais pedindo sanções contra Israel pelos inúmeros delitos praticados contra o direito internacional e os direitos humanos.

Declarou que o próprio Abbas já tinha preparado mais de 50 petições devidamente assinadas somente para serem apresentadas no Tribunal Criminal Internacional de Haia.

Além disso, seria pedido o reconhecimento da Palestina como membro pleno da ONU na próxima sessão em setembro deste ano.

Erekat  sabe que, com isso, Netanyahu  teria de assumir o controle da área A da Palestina,- atualmente com administração e segurança a  cargo  de Abbas-  e da Área B- administrada pelos palestinos, com segurança pelo  exército de Israel.

Aí, adeus colaboração da Autoridade Palestina no controle de atividades anti-Israel e na gestão, inclusive pagamento de salários, dos serviços públicos.

A anexação da Palestina por Israel seria inevitável, acabando a ficção de ocupação temporária, por razões de segurança, rebaixando ainda mais a cotação do governo de Telaviv na opinião pública do planeta.

Ninguém espera que Netanyahu  fique passivo.

Se todos os fatos acima acontecerem, ele certamente reagirá com grande agressividade.

O que provocará uma reação contrária de igual intensidade: a terceira intifada, desta vez vista de modo compreensivo pela comunidade internacional.

Comentando essa perspectiva, diz Erekat, o negociador palestino:  “Se as negociações de Kerry falharem, a Autoridade Palestina entrará em colapso. Netanyahu terá de tomar conta e as coisas ficarão muito feias.”‘

 

 

5 pensou em “Um prego no caixão das negociações da Palestina.

  1. Caro Luiz Eça
    Há outros processos acontecendo na relação Israel-Palestina, que apontam uma direção menos tenebrosa. Vale a pena você acompanhar essas outras forças:

    1. um movimento de empresários israelenses e palestinos, que já tem 300 empresários, 100 dos quais foram conversar com Kerry no Forum Econômico Mundial. Veja isto: “Com argumento econômico, empresários de Israel defendem paz com palestinos” – BBC Brasil – http://bbc.in/1jP69uC; e isto: Israeli Economic Leaders Fearful of Potential Boycotts Head to Davos – As part of World Economic Forum-supported peace initiative – em 23/1/14 – http://bit.ly/1kTjP86

    2. um movimento no judaísmo norteamericano, que vem crescendo e acumulando forças há vários anos, numa confluência de centro-esquerda chamada JStreet (um outro lobby judaico, cujo nome vem de Jewish Street, em contraposição à plutocracia que domina a AIPAC). É formado por sionistas liberais, não-sionistas, e judeus progressistas que sempre tiveram forte presença na esquerda norteamericana, desde o sindicalismo do século 19). Sugiro você acompanhar a sua evolução, e especialmente sua campanha atual, bastante capilarizada no território dos EUA – http://www.2campaign.org/. Ou seja, a AIPAC vem perdendo força.

    Prezo muito os seus comentários, e acho que podemos nos auxiliar com informações complementares.

    Um abraço
    Sérgio Storch
    JUPROG – Rede Brasileira de Judeus Progressistas

  2. Infekizmente o estado judeu não aprendeu nada com tanto sofrimento se aprendeu foi usar as mesmas armas nazistas, eta povinho sanguinario odioso.
    Terra de deus onde o diabo tomou conta, se e que deus passou por aquele lugar vergonhoso.

  3. O Brasil vergonhosamente ainda faz negocio com o povo judeus, minha opnião e que tinhamos que cancelar todos os contratos, esquecer israel de vez, povo militarmente terrorista,nazista, de povo sofrido pelo holocausto a povo que faz o holocausto Palestino, tranformando o estado palestino em um campo de concentração.
    Bem fez o Estado Irã desenvolveu suas bombas atomicas e esta de igual para igual a este povo nazista chamado israel, o qual nunca escrevo com letra maiuscula, pais militar , cabeça voltada a armas e matar e dominar a invadir e matar pessoas como cachorro povo odioso sanguinario.

  4. estão de brincadeira negociações entre Israel e os Palestinos e os americanos isso não e negociação e dominação isso tinha que ser decidido na ONU a Onu criou israel a ONU que faça israel devolver todas as terras palestinas e cada um no seu lugar e pronto.
    Isreal povo de deus onde o diabo manda e todos obedecem.

  5. ACHO O RITMO DE CONSTRUÇÃO DE NOVOS ASSENTAMENTOS DE ISRAEL NOS CHAMADOS “TERRITÓRIOS PALESTINOS” MUITO DEVAGAR. TEM QUE SER MUITO INTENSIFICADO, POIS ESSAS TERRAS SEMPRE FORAM ISRAELENSES. VIDA ETERNA PARA ISRAEL!

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