Trump nomeia chefe de torturas para vice da CIA.

Foi mais uma escorregada do novo presidente.

Na verdade, desde a campanha eleitoral, Trump sempre defendeu as torturas.

Era mesmo sua intenção emitir ordem executiva eliminando a proibição, feita por Obama, desses pouco recomendáveis métodos de interrogação.

Acabou voltando atrás, diante da oposição dos novos secretários Jeff Sessions, Mike Pompeo, general John Kelly e Rex Tillerson e do assessor de segurança nacional, general James Mathis.

Mas, conforme afirmou, continua convencido de que as torturas funcionam de verdade.

Ao contrário dele, Mike Pompeo, novo diretor da CIA, mudou de ideia recentemente, já que no passado, mostrou-se favorável ao waterboarding e outro métodos “científicos”, legais na época de George W.Bush.

Essas novas posições públicas dos dois talvez ainda estejam bem vivas no fundo dos seus corações.

E expliquem a promoção de uma mulher que participou ativamente das torturas dos tempos de Bush, chegando a dirigir uma “célula” onde os interrogatórios especiais eram realizados em segredo absoluto, para evitar denúncias e sua comunicação pela imprensa.

As malazartes desta respeitável dama começaram a ser conhecidas em 3 de maio de 2013. Nesta data, (Intercept de 7 de fevereiro de 2017) o Washington Post publicou matéria na qual o repórter investigativo Greg Miller informava um remanejamento nos serviços clandestinos da CIA.

Na reforma promovida pelo diretor na época, John Brennan, foi transferido um elemento-chave do setor de interrogatórios “coercitivos”(não se revelou o nome por se tratar de agente secreto), que exercia atividade central nos chamados “lugares negros.”

No programa de “rendições” da CIA, elementos suspeitos de terrorismo eram raptados no exterior e transferidos para esses “lugares negros”, prisões secretas, em países onde a CIA podia interrogar, usando waterboarding e outras torturas, tranquilamente.

Diretora de uma prisão secreta na Tailândia, a agente envolveu-se pessoalmente na prática das piores torturas contra pelo menos duas vítimas. O comitê de Inteligência do Senado reportou que ela foi particularmente atuante nas macabras torturas sofridas por Abu Zabadaydan.

O programa de rendições foi desenvolvido nos tempos de Bush.

Depois de eleito, Obama o cancelou, proibindo terminantemente qualquer tipo de tortura.

Em 2015, o Senado iniciou uma investigação sobre essas brutais práticas realizadas pela CIA do presidente anterior.

A agente, cujo nome, Gina Haspel, deixou de ser secreto, teve ainda papel decisivo na destruição de vídeos que mostravam a CIA em ação, massacrando presos para arrancar confissões e informações classificadas como “espontâneas”.

Na ocasião, comissão do Senado investigava o uso de torturas pela CIA.

Não se desejava, por razões óbvias, que esses vídeos altamente comprometedores se tornassem conhecidos.

Tendo sido flagrada, Gina foi acusada de obstrução pelos advogados da Casa Branca.

Procuradores especiais designados para investigar as ações delituosas da moça concluíram pela sua culpa. Mas não foi processada na Justiça pois Obama preferia que se esquecesse os autores desses atos nada condizentes com os valores da democracia americana.

Afinal, como diz a rumba “Lo passado ya pasó.” E a feroz Gina, impávida, foi se mantendo funcionária da CIA.

E, agora, surpresa! Foi promovida.

Trump a nomeou vice-diretor da CIA, com aprovação do diretor, Mike Pompeo.

Bem, sendo objetivo, não foi nenhuma surpresa.

Se o novo presidente acredita nas torturas, porque não promover alguém com a vasta prática da sra. Gina Haspel?

 

 

 

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