Sujeira pra baixo do tapete protege a CIA.

Em fins de 2012, a Comissão de Inteligência do Senado concluiu uma investigação das torturas da CIA no governo Bush.

O relatório é completo. Conforme a senadora Dianne Feinstein, presidente da comissão, são 6.300 páginas, contendo  “detalhes sobre cada detento em custódia da CIA, as condições  em que eles foram presos, como foram interrogados, as informações que eles prestaram e a precisão – ou falta de precisão- dos informes enviados pela CIA à Casa Branca, Departamento de Justiça e Congresso sobre o programa de detenções e interrogatórios.”

Durante as investigações, os senadores descobriram acidentalmente num computador da CIA o relatório de uma pesquisa interna que confirmava o uso sistemático de torturas pela agência.

O relatório, chamado de Internal Panetta Review, por Leon Panetta ser o diretor da CIA quando de sua realização, era mantido em segredo.

Como continha fatos sigilosos, o relatório do Senado foi submetido a Obama para desclassificá-lo, permitindo sua publicação.

Obama passou para a CIA analisar e dar seu parecer.

O que ela fez, em junho de 2013, contestando as acusações em depoimento no Senado.

Aí, que coisa feia, foi pega numa deslavada mentira.

Estava negando as brutalidades admitidas  numa investigação feita por ela própria, o Internal Panetta Review.

Mas como os rapazes  da CIA tem costas quentes, não pagaram recibo.

Buscaram criminalizar os investigadores do Senado por acessarem “ilegalmente”  o Panetta Review.

Além disso, disse a senadora Feinstein, a CIA se lançou numa campanha de intimidações e obstruções, visando bloquear a publicação do relatório.

Fenstein comunicou que a CIA já havia destruído centenas de documentos incriminadores.

Como cerca de 100  videos mostrando interrogatórios brutais de presos da CIA, que o antigo oficial sênior, José Rodriguez, pulverizou.

Enquanto isso acontecia, o presidente Obama permanecia em silêncio.

Apesar dos reiterados pedidos dos senadores da comissão de inteligência para que desclassificasse a investigação ou pelo menos permitisse a publicação de um resumo de suas conclusões, ele nada fez.

Continuava estudando a questão.

O tempo foi passando e em março deste ano, a senadora Feinstein foi ao Senado com uma nova e grave acusação.

A CIA reralizou duas buscas no computador reservado para a comissão de inteligência investigar as torturas de presos no governo Bush.

Feinstein soube do fato pelo próprio John Brennan, diretor da CIA.

Parece que a agência se sente numa posição tão forte no governo Obama que pode se dar  ao luxo de desafiar as leis.

Porque o que eles fizeram é simplesmente uma violação da quarta emenda da Constituição americana.

Por ela, o poder legislativo tem autoridade para supervisionar o executivo;  não o contrário.

Foi quando a rede de jornais e internet  McClatchy entrou na guerra.

Ela também investigou o assunto e descobriu que a Casa Branca, durante 5 anos, vem mantendo a 7 chaves mais de 9 mil documentos top-secret sobre o programa de detenções e interrogatórios de Bush, que interessariam à comissão de investigações do Senado.

Apesar de Obama declarar publicamente que apóia o trabalho da comissão, até agora  recusou-se a lhe mostrar esses documentos.

A McClatchy supõe que eles contenham provas demolidoras do uso de waterboarding e outras técnicas agressivas. Talvez mesmo uma permissão expressa do presidente Bush para a CIA mandar bala.

A relutância do presidente em permitir a publicação do relatório da comissão senatorial justifica essa suposição.

Obama admitiu a informação da McClatchy, explicando, através do seu porta voz, Jay Carney: certos materiais de George W.Bush não poderiam vir a público para que não se enfraquecer a privacidade do Salão Oval (gabinete do presidente)…

Portanto, sujeira pra baixo do tapete é a decisão do presidente que prometeu seria o mais transparente da história dos EUA.

 

 

 

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