A soberania por 1,6 bilhão de dólares.

Em duas ocasiões, drones mataram chefes talibãs, fazendo malograr conversações de paz do Paquistão com eles.

Isso depois dos EUA prometerem que suspenderiam seus ataques para não atrapalhar tudo.

Como retaliação, membros da oposição bloquearam a passagem de caminhões por onde os americanos transportam equipamentos militares do Afeganistão.

Custaria muitos milhões  usar outras rotas.

Em visita ao Paquistão, Chuck Hagel, o secretário de Estado, disse ao primeiro-ministro Nawaz Sharif que, ou os afegãos paravam com isso, ou adeus ajuda americana de 1,6 bilhão de dólares.

O oficial que prestou anonimamente esta informação explicou que não fora uma ameaça, mas um aviso.

Com boas intenções.

Caso o bloqueio continuar, os senadores (ah, esses republicanos…) cortariam a ajuda.

“Ameaça” ou “aviso”, o fato é que a soberania paquistanesa está em jogo.

Aparentemente, Sharif se comportou  à altura.

Teria respondido que o buraco era mais embaixo.

Seu relatório oficial da reunião assegura que ele “…transmitiu a profunda preocupação do Paquistão com os contínuos ataques por drones dos EUA, insistindo que os ataques de drones eram contraproducentes aos nossos esforços de combater os terrorismos e extremismos de forma permanente.”

Um dia depois da visita de Hagel, o parlamento paquistanês, por unanimidade, condenou os ataques de drones, taxando-os de violações da Carta da ONU e exigindo sua imediata suspensão.

Apesar de contar com este poderoso apoio dos parlamentares, o governo não tomou nenhuma medida concreta para forçar Obama a cancelar a chuva de drones que se abate sobre o país.

O que ele fez foi mandar ofício a Amir Khan, líder dos protestos, mandando que acabe com o bloqueio, pois “prejudica a economia nacional.”

Khan respondeu que nada feito.

Impasse.

Aguarda-se a reação do primeiro-ministro, que venceu as eleições em parte com promessas de livrar seu povo dos mortíferos drones.

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