Seqüestros e torturas: efeitos colaterais dos drones.

Certo dia o caminhão em que Karin Khan viajava no norte do Waziristão, província do Paquistão, foi atingido por um drone americano.

Seu filho e um irmão morreram na hora, ele saiu ferido.

Nenhum deles era terrorista, nem tinha ligações com essa gente.

Seu país não estava em guerra com os EUA, era até um bom aliado.

Khan ficou horrorizado, sentiu-se alvo de uma brutalidade sem nome. Posteriormente soube que bombardear um país aliado era uma violação do direito internacional , dos direitos humanos e da soberania do Paquistão.

Tudo isso lhe deu forças para se engajar na campanha anti-drones.

No mês passado, ele e outros parentes de paquistaneses assassinados por drones estavam com viagem marcada para a  Europa. Iriam narrar seus dramas a parlamentares de Bruxelas, Amsterdam, Londres e Haia.

Na véspera da partida, sua casa foi cercada e invadida por cerca de 20 homens armados mascarados, alguns uniformizados.

Eles o algemaram, vendaram seus olhos e o levaram preso para local desconhecido. Onde o mantiveram assim, sendo espancado e torturado, sem lhe dizerem por que.

Por fim  foi abandonado à noite, numa rua deserta.

Atribui-se esse “feito” à ISI, a poderosa polícia política paquistanesa cujo poder cresceu muito nos vários regimes militares que antecederam os dois últimos presidentes eleitos.

Que a intenção dos seqüestradores  era aterrorizar Khan para que desistisse de depor contra os drones no exterior, parece evidente.

Se eles seguiram ordens da CIA ou de altos oficiais da ISI ou do exército interessados na defesa da ação dos drones, ninguém sabe.

Em recente artigo, Robert Fisk, talvez o mais respeitado correspondente no Oriente Médio onde vive há 20 anos, acha que Khan até que teve sorte.

No começo de janeiro, foi descoberta no Balochistão  uma sepultura de várias pessoas desaparecidas, depois de prisões anteriores.

 

 

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