Saddam Houssein não morreu.

A primeira desculpa para a invasão do Iraque não pegou.

Por mais que americanos e ingleses procurassem, não encontraram nem cheiro de bombas nucleares.

Mas, Bush e Blair, sempre férteis, alegaram que havia outro grande motivo: salvar o povo iraquiano das brutais torturas e massacres do ditador Saddam Houssein.

Não vou dizer que o mundo engoliu totalmente essa.

Mas, apesar dos argumentos discordantes, não havia nada que os arrasasse a criação da dupla.

Agora há.

Ficou provado que Saddam caiu, mas as políticas e práticas, que tornaram seu governo  odioso, continuam de pé.

A Anistia Internacional acaba de publicar um relatório incendiário, “ Iraque, uma década de abusos,” que acusa os governos que o sucederam l de seguirem aplicando as mesmas brutalidades costumeiras nos tempos da ditadura deposta.

A polícia de segurança do Estado continua acima da lei, prendendo e torturando quem entender pois os juízes consideram que contra o terrorismo justifica-se tudo.

Na verdade, muitas vezes, consideram terrorista ações meramente contra o governo.

Os prisioneiros são condenados até à pena de morte ou perpétua, com base em depoimentos obtidos mediante torturas, que a “justiça” local costuma aceitar sem muitas restrições.

A Anistia cita um caso na cidade de Ramadi, em 2012, onde 4 homens foram presos, mantidos incomunicáveis, torturados de vários modos e espancados até acabarem confessando.

Todos os 4 foram condenados à morte, ignorando-se um pedido dó promotor para a libertação de um deles, considerado inocente.

Os torturadores permanecem impunes, são mesmo promovidos, afinal fazem o trabalho do presidente, o semi- ditador Maliki, obtendo à força testemunhos contra oposicionistas, como acusa o vice- presidente, condenado in absentia.

Conhecendo os métodos da polícia de segurança, ele fugiu bem antes do julgamento.

Segundo a Anistia: “Milhares de iraquianos são presos sem julgamento ou estão condenados a prisão perpétua imposta por tribunais injustos…e o novo Iraque é um dos líderes mundiais em execuções.”

No ano passado, o governo enforcou 129 prisioneiros e mantém 37.000 presos, dos quais apenas 21.000 foram sentenciados.

É comum em pré- julgamentos ou pela TV, depois de passarem por interrogatórios “à moda de Saddam Houssein”, 4 diferentes prisioneiros, sem contactos uns com os outros, confessarem a autoria do mesmo crime.

Outra reminiscência das práticas políticas do ex- ditador são as prisões secretas, que a CIA também usou no seu programa de sequestro de suspeitos no estrangeiro, para interrogatórios violentos, livres de obstáculos legais.

Uma das prisões secretas iraquianas localiza-se na “Zona Verde”, de Bagdá, ao lado de embaixadas e ministérios, sendo controlada pela força de elite do governo a Bagdad Brigade.

Nelas oposicionistas mais radicais e suspeitos de terrorismo podem ficar presos por muitos anos, sem serem sequer processados.

Mesmo sendo inocentes.

Exatamente como em Guantánamo.

Nessas brutais violências, promovidas pelo governo e apoiadas pelo judiciário local, Saddam permanece vivo.

O homem morreu, mas sua obra ficou.

Até quando?

 

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