Rouhani liberalizando o Irã.

Se Rouhani é uma ovelha negra disfarçada, como diz Netanyhau, então merece o Oscar de “melhor ator”.

Para grande irritação da linha dura iraniana e do premier israelense, as medidas liberalizantes se sucedem, uma atrás da outra.

Rouhani defendeu o cancelamento das restrições à mídia social. Facebook, MSN, twIter e afins, à vontade.

Aquela coisa absurda, mostrada em alguns filmes, de policiais iranianos reprimindo mulheres por se trajarem de modo supostamente imoral, nunca mais.

Rouhani  mandou os policiais  pararem com isso.

Também vai acabar com restrições à expressão dos pensamentos de professores e estudantes, o que ele considera “uma vergonha”.

Nos anos anteriores, vários professores e estudantes, que defenderam as manifestações contra a eleição de Ahmadinejad, foram até obrigados a deixar as universidades.

Rouhani foi duro ao condenar esse tipo de coisas.

Falando na Universidade de Teerã, ele declarou: “Esta administração não vai tolerar pressões de facções sobre universitários”.

Agora, a postura do Irã diante do mundo é diferente: ‘Nós devemos ter solidariedade e coexistência pacífica com todas as nações amigas. E,  mesmo com todas as nações do mundo (numa clara alusão ao Ocidente até então considerado hostil)”.

Até a comunidade judaica do Irã reconhece as mudanças positivas que Rouhani trouxe ao país.

Em política internacional, por exemplo.

Falando pelos 30 mil membros da comunidade, a “Associação Judaica de Teerã afirmou num manifesto:  “Se os EUA e a comunidade internacional não aproveitarem essa oportunidade de ouro (a abertura do governo Rouhani) que pode não se repetir, eles colaborarão com os pessimistas e os inimigos da normalização entre EUA  e Irã”.

Os judeus iranianos gozam dos direitos normais de um cidadão do país e sua religião é respeitada.

No entanto, alguns dos regimes anteriores sempre condenaram insistentemente o sionismo. Embora muitos judeus iranianos não fossem adeptos dessa ideologia, a postura do governo por vezes provocava ações preconceituosas contra eles.

Em 2005, o então presidente Ahmadinejad criou o “Novo Horizonte Anti-sionista,” um festival de palestras e manifestações contra o Estado de Israel.

No momento em que se discutia a questão nuclear, fundamental para o Irã, Rouhani não quis manter desnecessários focos de eventuais atritos com o Ocidente.

Cancelou o “Novo Horizonte Anti-Sionista”, para horror dos ativistas  linha dura do país que o acusaram de estar vendendo os valores ideológicos do Irã.

Netanyahu também não deve ter gostado nada.

Mais uma vez Rouhani prova sua moderação e espírito aberto.

Mais uma vez ele é obrigado a apelar pelo discurso gasto e desacreditado  das “falsas intenções iranianas.”

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