Réquiem por uma BBC independente.

Cai mais um ícone da imprensa independente.

Depois do Times, adquirido pelo magnata da imprensa marron, Rupert Murdoch, chegou a vez da BBC de Londres.

Há muitos anos, o exemplo de uma rede de Rádio e TV comprometida com os mais elevados princípios jornalísticos, a BBC mudou por obra do establishment britânico.

A vitória do socialista moderado Jerome Corbyn nas eleições de chefe do trabalhismo inglês deixou as grandes corporações horrorizadas.

Não era admissível um Partido Trabalhista autenticamente trabalhista.

Que, caso chegasse ao poder, tornaria Corbyn o primeiro-ministro.

E olhe parte do que ele pretende fazer: combater o tipo de austeridade financeira que busca o equilíbrio às custas dos sacrifícios das classes trabalhadoras e do Estado do Bem Estar Social e uma ordem internacional onde os interesses imperiais e das grandes corporações passam por cima do direito internacional e da justiça, deixando os povos mais fracos indefesos diante da força.

Assustador para as forças que dão as cartas no Reino Unido de hoje.

Elas não se limitaram a lamentar.

A primeira reação anti-Corbyn veio com a rebeldia de deputados trabalhistas que pediram a renúncia do novo chefe.

Corbyn recusou-se a aceitar e haverá uma nova eleição na qual ele aparece como favorito.

Mas os ataques ao inimigo ele não pararam aí.

A imprensa aliada entrou em ação.

Particularmente as emissoras de TV foram mobilizadas para fazerem sua parte.

E elas cumpriram seu papel.

Recente pesquisa da Coalisão de Reforma da Mídia da Universidade Birkbeck, de Londres, mostra que está havendo um “claro e consistente viés” contra Corbyn nas programações das emissoras de TV, desde que começou o movimento dos deputados contra o líder.

No mês passado, estudo da Escola de Economia de Londres chegou à mesma conclusão.

Algumas emissoras deram aos oponentes de Corbyn o dobro do tempo dado a ele.

O mais triste é que a rede BBC, que é estatal, ligada ao governo atual, por sinal conservador, estava entre elas.

O relatório da Coalisão de Reforma da Media mostrou ainda: “uma forte tendência nos boletins de notícias noturnas da BBC principal, com os repórteres usando linguagem pejorativa quando se referiam a Jerome Corbyn e seus adeptos…”

O dr.Bart Cammaerts, da Escola de Economia de Londres, foi definitivo: “Permitir que um importante e legítimo ator político, no caso  o líder do principal partido de oposição, desenvolva suas idéias, e tenha uma voz no espaço público é fundamental numa democracia.”

É o que a BBC fazia. Não importa que esse líder fosse contra o governo.

Daí o respeito de que gozava no mundo.

Agora, essa imagem está desabando.

Adeus BBC independente.

 

 

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