Refugiados sofrem os piores abusos.

A Eritréia é um país muito pobre, na África Oriental.

A partir de 2004, dezenas de milhares de pessoas vem fugindo de lá, oprimidas por perseguições políticas e pela miséria.

Ao passarem a fronteira, são submetidas a torturas, estupros e à escravidão, através de extorsões praticadas por bandos  de traficantes.

É o que revela recente relatório do Human Rights Watch intitulado: “Quero deitar e morrer. Tráfico e  Torturas de eritreus no Sudão e no Egito.”

Chegando a esses países, eles são internados em campos de refugiados.

Muitos são seqüestrados pelos traficantes que os torturam exigindo que membros de suas famílias paguem resgates  por eles.

Mesmo que isso seja feito, não é certo que as vítimas sejam libertadas.

Há grande número de casos em que elas são vendidas 4 a 5 vezes para diferentes bandos. E o processo criminoso se repete outras tantas vezes.

O relatório do Human Rights Watch faz mais uma grave denúncia:  os policiais e militares do Egito e do Sudão nada fazem para reprimir esses crimes.

Pior: a cumplicidade deles com os traficantes é generalizada.

Gerry Simpson, autor do relatório, diz : ”Até agora, policiais e soldados ajudando traficantes a contrabandear e torturar refugiados, não tem nada a temer. Alguns agentes de segurança egípcios chegam mesmo a devolver aos captores.vítimas   que fugiram deles.”

Os protestos de várias entidades de direitos humanos junto às autoridades dos dois países tiveram resultados mínimos.

O Egito processou apenas 1 policial e nenhum oficial militar. Já o Sudão foi melhor: processou 14 traficantes e 4 agentes.

Por enquanto, não se sabe de nenhuma prisão.

Até recentemente, grande parte dos refugiados tentavam chegar a Israel em busca de asilo.

Esse fluxo diminuiu muito depois que o governo israelense construiu um muro na fronteira de 240 quilômetros de extensão, bloqueando o acesso pelo deserto do Sinai.

Na sua viagem, os eritreus sempre sofreram abusos por parte dos grupos de traficantes a quem pagavam para os levarem.

É o que informa estudo do Médicos Sem Fronteiras, base de Israel, publicado em 2011.

Foi avaliada a situação do grande número de refugiados tratados na clínica médica da organização.

59% contaram que foram mantidos aprisionados, durante a viagem. 52% que sofreram sérias violências sexuais.

Segundo organização de direitos humanos israelenses, os traficantes de pessoas tem relações  com grupos israelenses.

Através deles, exigem que eritreus moradores em Israel paguem resgate por parentes presos em campos de refugiados.

O Human Rights Watch calcula em 200 mil os eritreus que deixaram seu país em busca de uma vida melhor, desde 2004.

Entre os muitos que caíram nas mãos dos traficantes de pessoas, um número considerável morreu vítima das torturas, outros acabaram mutilados ou marcados por cicatrizes.

Não será suficiente para que a ONU e as grandes potências resolvam dar um basta nesse horror?

 

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