Quem ganhou na guerra do Iraque.

Certamente não foram os EUA, que já gastaram 2,2 trilhões de dólares, importância que poderá chegar a 6 trilhões na próxima década, quando forem computados os juros dessa quantia.

Sem falar nos 4.200 soldados mortos e 32 mil feridos, muitos deles hoje incapacitados física ou psicologicamente.

E mais: com a invasão, Washington acabou trocando Saddam Hussein, um ditador inimigo do Irã, por um governo xiita, fraternal aliado dos aiatolás.

Quanto ao Iraque, nem se fala.

Centenas de milhares de vidas do seu povo foram sacrificadas, 4 milhões de refugiados se espalharam por países vizinhos, o sistema de educação e a infraestrutura de saúde foram destruídos e só recentemente o país voltou a crescer.

Finalmente, a AL Qaeda, fortalecida por centenas de jovens indignados pela ocupação estrangeira, ficou forte e pratica atentados quase que diários, matando milhares de pessoas anualmente.

Enquanto os principais protagonistas da guerra perderam muito, houve quem saiu ganhando: os empreiteiros de serviços, especialmente na área de segurança.

Nada menos do que 206 bilhões de dólares foram embolsados por esse pessoal nas guerras do Iraque, principalmente, e do Afeganistão.

E, o que é muito grave: segundo uma comissão bipartidária do Congresso, entre 31 bilhões e 60 bilhões de dólares pagos pelo governo foram desperdiçados.

A causa principal, diz  relatório da comissão foi excessiva confiança nas empresas de empreiteiros, causando supervisão ineficiente, que os deixou pintar e bordar.

E o resultado foi “vastas quantias gastas sem nenhum benefício” para as os interesses americanos no país.

Stuart Bowen, inspetor geral especial para a reconstrução do Iraque tem documentadas as falhas do trabalho dos empreiteiros de serviços e a maioria das fraudes por eles executadas.

Em 2008, quando os combates no Iraque atingiram seu pico, o Escritório de Orçamentos do Congresso avaliou que 1 em cada 5 dólares gastos na guerra foram para empreiteiros de serviços.

Nesse ano, as despesas com essas empresas chegaram a 85 bilhões de dólares.

Elas tinham um “exército” de 180 mil pessoas, mais gente do que o próprio exército americano- que trabalhavam como seguranças, guarda-costas, tradutores, cozinheiros, motoristas, pedreiros e copeiros.

O principal beneficiário desse dilúvio de dólares foi a KBR – Kellog Brown & Root, então subsidiária da Halliburton.

Talvez não por coincidência, a Halliburton foi presidida pelo vice- presidente dos EUA, Dick

Cheney de 1995 a 2000.

Seu poderio era tão grande que um militar de alta patente do Pentágono foi posto na rua quando tentou levar a KBR às barras da justiça, em 2005.

Em 2009, já na administração Obama, sem a proteção de Cheney, a Halliburton teve de pagar 550 milhões de dólares ao governo para livrar a KBR de processos por corrupção.

Lembro que o vice- presidente da era Bush foi um dos principais responsáveis pela decisão dos EUA atacarem o Iraque.

 

 

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