Ainda há juízes em Israel.

A Justiça de Israel acaba de dar uma demonstração de isenção.

O Tribunal Distrital de Jerusalém condenou Jack Teitel, um judeu  israelense nascido nos EUA, a duas penas de prisão perpétua pelo assassinato de dois palestinos.

Além desses crimes, foram provadas também lesões graves praticadas por ele contra um professor pacifista de Israel e contra um adolescente, atingido por uma bomba caseira.

O tribunal ainda condenou Teitel a pagar indenizações às famílias das vítimas.

O réu declarou que estaria vingando as mortes de judeus praticadas por árabes.

Seu advogado, mais esperto, réu alegou insanidade, na defesa, mas o tribunal rejeitou.

Não é a primeira vez que a justiça de Israel mostra independência diante do “establishment” local.

Em 2011, por exemplo, a Suprema Corte exigiu o fechamento de Migron, o maior dos assentamentos ilegais na Cisjordânia.

O governo não obedeceu, dizendo “estar em negociações.”

A Suprema Côrte só autoriza que as forças militares israelenses matem terroristas no exterior quando comprovadamente ameacem a segurança do país e não seja possível prende-los para serem julgados.

O que muitas vezes não é respeitado.

Em 2012, a Suprema Corte derrubou um tipo de contrato que prendia os trabalhadores migrantes a seus empregadores. Isso porque só receberiam vistos com a aprovação do patrão.

Em 2007, decidiu que o muro que dividia ao meio a cidade palestina de Bilin não era necessário, pois não trazia segurança, ordenando ao governo sua remoção.

O governo levou mais de 4 anos para cumprir. Mas mudou o muro para uma posição que separa os moradores da cidade de seus campos de cultura.

Em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, na Guerra de Gaza, Israel impediu a imprensa de entrar na faixa de Gaza.

A Suprema Corte revogou essa proibição, mas o exército fez que não ouviu e os jornalistas continuaram fora.

Em abril de 2011, a Suprema Corte anulou o cancelamento do status legal das trabalhadoras migrantes que tivessem filhos em Israel, considerando uma violação das leis nacionais de trabalho.

Infelizmente, Israel continua deportando essas mães trabalhadoras e seus filhos nascidos no país.

Como toda democracia, Israel tem uma justiça independente.

Chato que o executivo nem sempre acate suas decisões.

Nem por isso deixa de ser um país democrata.

Pero no mucho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *