Quanto os palestinos pagam para serem dominados.

A ocupação da Cisjordânia e o bloqueio de Gaza impõem elevadas perdas econômicas aos palestinos.

O Ministério Palestino de Economia e o Applied Research Institute (Jerusalem), calculam em 6,9 bilhões de dólares os prejuízos causados por Israel à economia palestina.
Essa quantia representa 85% do PIB do país, em 2010.
Ao impedir a produção e as exportações, o bloqueio de Gaza trouxe perdas estimadas em 1,9 bilhão de dólares. Chegou-se a essa cifra da seguinte maneira: o PIB de Gaza, antes do bloqueio, e o PIB da Margem Oeste (Cisjordânia) costumavam ser iguais. A diferença entre o PIB atual da Margem Oeste e o de Gaza foi exatamente o 1,9 bilhão de dólares mencionado acima.
A desigual distribuição de água , numa proporção de 80 x 20 a favor dos israelenses, impôs uma perda próxima a 2 bilhões de dólares à economia palestina, especialmente ao setor agrícola.
A esse propósito, vale notar que Israel está descumprindo os acordos de Oslo, ao bombear para seus territórios volumes de água do aqüífero do Oeste muito acima do que foi estabelecido. Fato revelado em relatório do Banco Mundial, em 2009.
O controle de Israel sobre os recursos de água e o acesso à área C da Margem Oeste impede os palestinos de fazerem irrigação, reduzindo a produtividade das suas plantações que, hoje, representam apenas 9% da área cultivada.
Calcula-se que, sem as restrições israelenses, seria possível expandir consideravelmente a agricultura palestina, chegando a algo como ¼ do PIB de 2010.
Essa política israelense de dificultar o acesso à água é responsável por diversos problemas de saúde do povo palestino. Os autores do estudo estimam em 20 milhões de dólares a importância necessária para o tratamento das doenças decorrentes da carência de água.
A Cisjordânia e Gaza contam com uma série de recursos naturais que Israel explora ou impede os palestinos de explorarem, a saber: minérios no Mar Morto, pedras e cascalho em pedreiras, gás natural no litoral de Gaza. Os lucros provenientes da exploração dessas matérias-primas seriam cerca de 1,83 bilhão de dólares, conforme o estudo do Ministério Palestino da Economia e do Applied Research Institute.
O controle de Israel sobre a área C impede o turismo em ruínas históricas e regiões de grande beleza natural existentes na Cisjordânia. Somente o Mar Morto, se pudesse ser explorado adequadamente, renderia cerca de 144 milhões de dólares por ano.
Desde o início da ocupação, em 1967, foram arrancadas 2,5 milhões de oliveiras e outras árvores frutíferas, causando uma perda anual de 138 milhões de dólares.
O setor industrial enfrenta as maiores dificuldades para se desenvolver devido às restrições impostas por Israel à importação de máquinas e matérias-primas. São 56 itens proibidos, por serem considerados de “uso duplo” – militar e manufatureiro- incluindo fertilizantes, diversas matérias-primas, equipamentos óticos, tornos mecânicos, instrumentos náuticos e canos metálicos.
Estas restrições atingem diretamente uma variedade de indústrias como as de alimentos, bebidas, metais, tecelagens, medicamentos, roupas e cosméticos.
O Tesouro palestino não pode cobrar taxas e direitos alfandegários dos produtos vendidos na Margem Oeste devido ao controle israelenses nos postos de passagem e na Área C. Isso resulta em perdas fiscais estimadas em 400 milhões de dólares por ano.
O estudo fala também em perdas fiscais indiretas já que um PIB diminuído em relação ao seu potencial significa menos rendas proveniente de taxas. De acordo com os cálculos, a economia seria 84,9% maior sem a ocupação o que geraria 1,389 bilhão de dólares de rendimentos fiscais adicionais.
Na verdade, a soma dos prejuízos causados à economia palestina pela dominação israelense não inclui vários cálculos especulativos como as perdas causadas pela proibição dos palestinos construírem na área C ou pelo muro de separação criado por Ariel Sharon, que chega a cortas propriedades rurais pelo meio.
Considerando o déficit fiscal na Margem Oeste e em Gaza de 1,358 bilhão de dólares, em 2010, a economia palestina apresentaria um saldo positivo de 438 milkhõ3es de dólares caso não existisse a dominação israelense. O governo do país não precisaria de doações, como acontece hoje, e teria condições para estimular o desenvolvimento e oferecer melhores benefícios sociais à população.
Na situação atual, Israel age como uma potência colonialista. Impõe restrições que impedem o surgimento de uma indústria local capaz de competir com a israelense. E explora os recursos naturais da região em seu benefício exclusivo.
O estudo realizado pelo Ministério Palestino da Economia em conjunto com o Applied Research Intitute, mostra que, ao contrário do que afirma a propaganda israelense, a economia palestina está paralisada. E sem chances de romper as amarras que a mantêm nesta amarga situação.  
O mais triste é o fato de que os palestinos são obrigados a pagar para serem dominados e explorados por Israel.

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