O realismo dos reis

Num programa de TV dos EUA, o Charlie Rose Show, o apresentador perguntou a Ehud Barak, Ministro da Defesa de Israel, se ele iria querer produzir bombas nucleares se fosse membro do governo do Irã.

Resposta: ”Provavelmente, provavelmente… Eu não me iludo, pensando que eles estão fazendo isso apenas por causa de Israel… Eles olham em volta, vêem que os indianos são nucleares, os chineses são nucleares, o Paquistão é nuclear… Sem contar os russos.”
A seguir, Charlie Rose perguntou se o fato de Israel possuir armas nucleares não obrigaria os iranianos a também procurarem ter capacidade militar nuclear, Barak respondeu: “Sim. Israel… Segundo se diz.”
Em outras palavras, no dizer do Ministro da Defesa de Israel, o programa nuclear iraniano, se existir, terá finalidades apenas defensivas.
Seu objetivo não seria destruir Israel e todos os seus habitantes judeus, além de ameaçar os países vizinhos e todo o Ocidente, como sustentam os governos israelense e americano.
Cercado por potências nucleares por todos os lados, natural que o Irã desejasse ter meios de, eventualmente, precisar impor respeito a elas.
As sinceras respostas de Barak são uma defesa irretorquível do direito do Irã ter capacidade militar nuclear.
Afinal, ele é Ministro da Defesa do maior inimigo do Irã.
Agora, o Sr. Amano, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU pode guardar na gaveta seu precioso relatório. O Congresso e o Senado americano devem esquecer os aiatolás e buscar outras maneiras de agradar seus financiadores da AIPAC (lobby judaico-americano). Obama, Hillary Clinton, Cameron, Sarkosy e similares podem retirar suas ameaças e a ONU revogar suas sanções contra o Irã.
O fato do governo de Teerã ter ou não um programa nuclear militar deixou de ter importância.
Claro, chegando em Telaviv, Barak recebeu severos puxões de orelha de Netanyahu e apressou-se a proclamar que fora mal entendido…
E tudo vai ficar por isso mesmo já que a grande imprensa internacional omitiu as declarações do ministro israelense. E os muitos americanos que assistiram á performance de Barak no Charlie Rose Show serão persuadidos pelos formadores de opinião do país de que tudo não passou de engano ou de uma ilusão auditiva em massa. Ou mesmo de alguma maquinação maquiavélica dos aiatolás que teriam pago um membro da gangue dos Zetas para fazer uma interferência eletrônica na transmissão do programa.
Em matéria de sinceridade, houve outro destaque na semana que passou.
Foi celebrada com grande euforia nos EUA a derrota militar do coronel Kadafi. Mas não pegou bem o modo com que ele  morreu: estuprado e executado sem julgamento.
Pior ainda quando Abdul Jalil, líder do governo de transição, afirmou: “qualquer lei que viole a Sharia é nula e inválida legalmente.” E, referindo-se a lei de divórcios e casamentos, de Kadafi, que proibia a poligamia, afirmou: “Essa lei é contrária à Sharia e será cancelada”.
Diante destas coisas, David Hartwell, analista sênior da HIS Jane´s e expert em Líbia, ponderou sabiamente: “Pode não ser o país pelo qual a NATO pensava estar lutando, mas os gigantescos volumes de petróleo e gás do país farão que qualquer um aprenda a conciliar suas crenças com a nova Líbia.”
Portanto, vamos esquecer os direitos humanos, a modernidade e a emancipação da mulher já que “um valor mais alto se alevanta”.

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