Polícia de Mubarak continua solta.

Vazou pesquisa ordenada pelo presidente Morsi, deixando indignados todos que tiveram acesso a ela.

O relatório, escrito por 16 personalidades independentes, inclusive juízes, informou que 846 pessoas foram mortas durante as manifestações contra o regime de Mubarak.

A maioria delas foi assassinada por policiais, especialmente atiradores (snipers) emboscados nos terraços de prédios em volta da Praça Tahir, onde a multidão protestava pela queda do ditador..

O relatório indicia também o próprio Mubarak e autoridades do seu governo por terem dado as ordens ou, na melhor das hipóteses, deixado correr.

Com a queda do regime, pouca coisa mudou no aparelho de segurança:  seus membros continuaram praticamente os mesmos.

Durante o governo da junta militar, o povo continuou na Praça Tahir, exigindo um governo civil e as violências não cessaram, embora com menor gravidade.

A pressão popular, na época forte, exigiu que os generais tomassem uma atitude.

Diversos policiais foram então processados mas apenas dois receberam condenações a prisão.

Desde o início do seu governo, o Presidente Morsi prometeu reformar a polícia.

Até agora nada fez.

Acha que ainda precisa da boa vontade desse pessoal para enfrentar os movi mentos de massa da oposição secular, exigindo participação no governo.

Mas, diante dos resultados da pesquisa sobre as ações policiais, a prgunta que se faz é: continuará inativo?

Diz Heba Morayef, chefe da Human Rigths Watch no Egito:”Publicar ou não o relatório será o teste para avaliar seu comprometimento (de Morsi) com a responsabilização da polícia e a reforma do aparelho de segurança.”

É mais um problema para Morsi.

Mais uma chance de tomar medidas que melhorem sua imagem.

Ela está descendo num plano inclinado.

Foi de 75% favoráveis, em setembro, para 49% no começo deste mês.

E, pior ainda: enquanto que, no 100º dia do seu governo, 58% diziam que votariam nele na próxima eleição presidencial, atualmente, apenas 39% garantem que sim.

Trágico para quem, no início de seu governo, era apresentado como um dos melhores frutos da Primavera Árabe.

 

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