Planos de Bibi ameaçados.

Quando Obama começou a defender a independência dos palestinos, encontrou, em todo o mundo, um clima favorável.

Como Israel já havia concordado na chamada “solução dos 2 estados na Palestina”, Netanyhau adotou uma manobra diversionista: a denúncia do Irã nuclear como ameaça ao Ocidente.

Mas Obama insistiu nas negociações de paz com os palestinos. Para isso, seria necessário que Israel parasse de promover assentamentos na Margem Oeste.

Bibi aceitou uma paralisação temporária e incompleta.E continou insistindo no perigo para a existência de Israel e para toda a civilização, representado pelas armas nucleares iranianas.

Obama e a ONU concordaram com ele, exigiram que Ahmadinejad parasse de enriquecer o urânio, apesar do Irã ter todo o direito.

Diante da negativa, sanções, patrocinadas pelos EUA, foram lançadas para dobrar a resistência iraniana.

Parecia que a manobra de Bibi tinha dado certo, pois o mundo praticamente esquecera o drama dos palestinos. Certo que Bibi acabou fazendo eles lembrados com algumas violências como o massacre da frota da Liberdade e a invasão de Gaza.

Mesmo voltando-se contra Israel nesses e em outros casos análogos, o mundo dividia sua atenção com a ameaça iraniana, sempre sinistra.

No ano passado, Obama fez mais uma tentativa de cumprir suas promessas de campanha e proclamou a urgência de se criar uma Palestina independente, com base nas fronteiras de 1967.

Como  se sabe, Bibi calou o presidente americano, voando para Washington, onde foi recebido como herói pelo Congresso, devidamente azeitado pela AIPAC (lobby pró-Israel).

Posteriormente, um Obama domado, agiu agressivamente para bloquear o pedido de reconhecimento da independência da Palestina pela ONU.

E, açulados por Bibi, os legisladores americanos votaram sanções desmedidas contra o Irã, acompanhados por seus confrades europeus.

Não era o bastante. Bibi queria mais sanções, tão terríveis que, ou o Irã se renderia e seu governo cairia.

Ou entraria numa crise destrutiva e seu governo cairia.

Porque o ataque ao Irã, além de manobra diversionista para tirar o foco da Palestina, tinha por objetivo liquidar a força militar de um país inimigo capaz de ombrear-se com Israel.

Aí Bibi, coadjuvado por Ehud Barak, usou a carta da guerra.

Na verdade, não era uma ameaça só para o Irã: atingia o mundo inteiro, aturdido por uma crise que se transformaria num cataclisma pela vertiginosa subida do preço do petróleo, inevitável nessa guerra.

Obama e os grandes europeus reagiram da forma esperada.

Em vez de contra atacar, ameaçando Israel com sanções, aplicáveis num país que insiste em atacar outro sem motivo justo, humilharam-se,  suplicando que Bibi não bombardeasse o Irã.

Mas, os palestinos mostraram que ainda estavam vivos. Anunciaram o fim das negociações, caso Bibi não parasse com os assentamentos.

E que, não sendo atendidos, voltariam à ONU, agora com sua posição pró independência reforçada. Obama não poderia mais negá-la com o argumento de que negociar seria o certo, já que Bibi tornara isso impossível.

Para completar, os iranianos deixaram claro que aceitariam as exigências dos P+5 na reunião de Bagdá para conseguir um acordo de paz.

De uma só vez, não haveria como destruir o Irã como potência e evitar que o problema palestino revivesse, com chances de sucesso.

As ameaças  voltaram-se contra o ameaçador.

 

 

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