Obama quer esticar “estado de guerra”.

No embalo do horror despertado pelo atentado de 11 de setembro, o congresso americano, em 2001, aprovou lei permitindo que Bush atacasse a al-Qaeda onde ela estivesse.

Foi a chamada “Autorização para Uso de Força Militar”, que deu base para Bush invadir o Afeganistão e o Iraque e Obama matasse insurgentes no Paquistão, Yemen e Somália.

Criou-se um “estado de guerra”, que serviu também para justificar, em nome da segurança, leis que restringem as liberdades como direito do presidente prender sem julgamento e por prazo indefinido, quem julgar perigoso para os EUA, e mandar matar suspeitos no exterior.

Os legisladores e os presidentes Bush e Obama não ligaram por estas e outras leis semelhantes serem claramente anti- constitucionais. Como os EUA estavam em guerra, a segurança nacional vinha antes de tudo.

Mas agora, alguns senadores começaram a achar que talvez fosse hora de mexer na “Autorização Para Uso da Força Militar”.

Afinal, o próprio chefe da CIA, John Brennan, há um ano atrás, havia declarado:”Pela primeira vez desde que a luta começou, nós podemos olhar para a frente e ver um mundo onde a aL-Qaeda simplesmente não é relevante.”

Um pouco antes, relatório do Departamento do Estado dizia a mesma coisa.

E, ainda em fins de 2011, Leon Panetta, então Secretário da Defesa, afirmara :”Nós estamos vencendo este duro conflito (contra o terror)”>

Se a ameaça da al-Qaeda tinha ficado tão minimizada, para que manter uma lei que dá poderes tão amplos ao presidente, além de violar mais uma vez a Constituição?

Logo o Pentágono e a Casa Branca pularam protestando.

E Michael Sheehan, Secretário- Assistente para Operações Especiais da Secretaria de Defesa, ao depor no Senado, disse que a lei seria essencial à “guerra contínua contra o terrorismo”, que deveria durar “de 10 a 20 anos.”

Esta guerra, segundo o secretário- assistente, se processa sem limites geográficos. Qualquer indivíduo ou grupo, definido como “força associada”pelas altas autoridades, poderia ser alvejado em qualquer parte do mundo. Seria essencial que esse poder extraordinário fosse mantido até que os líderes na Casa Branca e no Pentágono anunciassem o fim da guerra ao terrorismo.

Essas declarações não pegaram muito bem entre muitos senadores.

O senador independente, Angus Keen, foi duro:”Esta é a mais perturbadora audiência que eu já vi na vida. Caras, vocês reescreveram a Constituição, hoje… É uma justificação para tudo, que torna os poderes do Congresso nas guerras nulos e vazios.”

Ele não deixa de ter razão.

Pior: dá impressão de que Obama pretende partir para novas aventuras militares, daí não querer depender de autorizações dos parlamentares para cada uma delas.

Coreia do Norte, Síria e Irã que se cuidem.

E não só eles: quem mais não poderá virar alvo da Casa Branca nesses 10, 20 anos previstos de mais guerra?

 

 

 

 

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