Obama comemora 10 anos de drones com 4.000 mortos.

Foi Bush que lançou os primeiros ataques de drones contra suspeitos de terrorismo no Paquistão, em 2004.

Obama deu continuidade, a partir de 2009, início do seu primeiro mandato.

Até agora já foram 460 ataques, que mataram cerca de 4.000 presumíveis terroristas.

Segundo estudos do Birô de Jornalismo Investigativo, de Londres – baseado em pesquisas próprias e em dados do governo do Paquistão e documentos da CIA- entre 410 e 950 dos mortos eram civis, incluindo  170 a 200 crianças.

O número de pessoas inocentes mortas deve ser maior.

Documentos vazados da CIA, revelados pela agência de notícias Mc Clatchy, colocam como “extremistas desconhecidos” muitas vítimas dos drones não identificadas.

Essa classificação geralmente se baseia no fato de serem adultos armados, o que não deveria valer muito pois se trata de um uso normal na população do Waziristão Norte, região mais alvejada.

Obama, prêmio Nobel da paz, superou Bush por grande margem – lançou 6 vezes e meio mais ataques.

Ele gostou tanto dessa arma, que não põe em risco soldados americanos, que passou a usá-la também na Somália, Afeganistão e Yemen.

Bush lançou drones no Yemen, mas apenas uma vez.

Com Obama, já foram 59 vezes.

Somando os ataques de drones nos diversos países, Obama chega a 390 –  8 vezes mais do que o presidente republicano.

Sob o prisma dos direitos humanos, a performance do presidente atual não é das mais elogiáveis.

Os aviões sem piloto foram condenados pela ONU, por sua comissão de direitos humanos e pelas mais sérias e importantes organizações de defesa dos direitos civis.

O Paquistão, país mais atingido pelos mísseis lançados por drones, manifesta-se rotineiramente contra, através de todos os setores da sua sociedade, inclusive a justiça, as forças armadas e os ministros.

Tanto o governo atual do Paquistão, quanto o anterior reclamaram inúmeras vezes por considerarem os ataques de drones violações da sua soberania e dos direitos humanos de sua população.

Jamais tomaram quaisquer atitudes práticas em favor de sua posição.

Poderiam fazer muita coisa: ameaçar os EUA com retaliações diplomáticas,  inclusive rompimento de relações; derrubar os drones a tiro; exigir que a ONU interviesse.

No entanto, os interesses econômicos falam mais alto.

De olho na ajuda financeira e militar dos EUA, os governos de Islamabad limitam-se a reações apenas verbais.

A maior frente de batalha contra os drones é nos EUA, mesmo.

As organizações de direitos civis americanas não lhes dão tréguas.

Foi muito criticado um memo vazado do departamento de Estado com uma justificação legal dos drones: os EUA  teriam direito de matar cidadãos quando eles representam uma ameaça iminente ao país. Não se exige que os EUA disponham de uma CLARA EVIDÊNCIA para determinar a probabilidade de um ataque específico contra pessoas ou interesses americanos num futuro próximo.

Jameel Jaffer, da União Americana de Liberdades Civis (ACLU) qualificou esse memo como “assustador.”

De fato, ele confere poderes absolutos aos responsáveis pelos ataques de drones: podem decidir sobre a vida de alguém, de acordo com seu raciocínio, dispensando a existência de provas.

Tudo indica que o sistema está longe de ser perfeito – do contrário não haveria tantas vítimas civis, nem tanto terror nas regiões atingidas pelos mísseis dos aviões sem piloto.

Fato que explica o resultado de pesquisa da Pew Research no Paquistão, mostrando que 70% da população vê os EUA como inimigo.

O general McChrystal, ex-comandante do exército americano no Afeganistão, falou à BBC sobre os sentimentos do povo  em relação aos drones:“…há uma percepção de pessoas desamparadas numa área sendo alvejadas por um raio vindo do céu, (disparado) por uma entidade que age como se tivesse onisciência e onipotência. E assim você cria uma tremenda animosidade entre a população, mesmo entre aqueles que não foram feridos.”

Apesar de todas as críticas, o máximo que o governo Obama tem feito é procurar limitar ao máximo os danos colaterais dos drones.

De fato,  os ataques vem diminuindo: passaram de 72 em 2012 a 55, em 2013.

O número médio de mortos por ataque que era de 3 na era Bush, passou a 1,43 com Obama.

Mas o buraco é mais em baixo.

Enquanto os aviões sem piloto continuarem rugindo nos céus do Oriente Médio e da África, os valores da soberania e dos direitos humanos estarão sob ataque.

E bem assim o domínio do direito sobre as relações entre as nações, que é um objetivo maior da nossa civilização.

 

 

 

 

1 pensou em “Obama comemora 10 anos de drones com 4.000 mortos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *